Governo do Estado de São Paulo/Divulgação
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Primeiras 120 mil doses da Coronavac chegam em 20 de novembro, diz Doria

Lotes com primeiros imunizantes vão ser importados da China; fábrica do Butantã tem previsão para ficar pronta em setembro de 2021

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 12h58
Atualizado 10 de novembro de 2020 | 10h07

SÃO PAULO - O governador João Doria (PSDB) afirmou nesta segunda-feira, 9, que a fábrica do Instituto Butantã para produzir a Coronavac, a vacina contra covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com a instituição paulista, só deve ficar pronta em setembro de 2021. Doria também anunciou que São Paulo vai receber no dia 20 de novembro as primeiras 120 mil doses importadas do imunizante, que ainda estão em fase de teste e dependem de aval para serem aplicadas na população.

Segundo o governador, as primeiras doses da Coronavac serão trazidas em lotes da China e a expectativa é de que 6 milhões unidades desembarquem no Brasil até dezembro. Por motivo de segurança, os imunizantes ficarão guardados em local secreto no Estado. 

"A Anvisa já havia confirmado e agora as autoridades sanitárias da China também deram autorização para importação dos lotes. As primeiras 120 mil doses chegam ao Aeroporto Internacional de Guarulhos no dia 20 de novembro", afirmou Doria. Ainda sem eficácia cientificamente comprovada, o imunizante só pode ser aplicado quando tiver autorização da agência reguladora.

A matéria-prima será transportada em bolsas de 200 litros dispostas em contêineres refrigerados, segundo o governo. A Coronavac não necessita de temperaturas negativas para seu armazenamento. 

Além dessas vacinas prontas, São Paulo vai receber insumos para produzir mais 40 milhões de doses. Transportada em aviões fretados e comerciais da China, a matéria-prima para fabricar as primeiras 1,2 milhão de doses está prevista para 27 de novembro.

Há expectativa de mais 14 milhões de doses em fevereiro. Pelo planejamento, o Estado atingiria a meta de 100 milhões em maio. De acordo com a gestão Doria, mesmo sem a conclusão da nova fábrica do Butantã até lá, o instituto já teria condições de processar esse material. A capacidade seria de um milhão de doses por dia, segundo o governo.

"A fábrica vai fazer outro processo, do zero até a fase final", afirmou Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã. "Ela só vai entrar em operação até o fim de 2021, mas até lá já temos 100 milhões de doses e podemos fazer acréscimos no volume, se for necessário."

Custo da fábrica foi bancado por iniciativa privada, diz governo

Nesta segunda, Doria anunciou o início das obras da fábrica do Butantã, que focará na produção da Coronavac. "Esta nova fábrica terá 10 mil m² e capacidade de produzir 100 milhões de doses da vacina contra covid por ano", disse. "Será a primeira da América Latina."

O projeto está em fase de captação de recursos e a previsão é que a construção dure dez meses. Segundo o Estado, o equipamento também foi planejado para produzir outros imunizantes depois. "Uma vacina pode decair do seu uso e assim não corremos risco de ela ficar obsoleta", disse Covas.

De acordo com a gestão Doria, São Paulo ainda não teria recebido investimento do Ministério da Saúde. Por isso, R$ 130 milhões dos R$ 160 milhões previstos para a implantação da fábrica teriam sido custeados por 24 empresas do setor privado, sem contrapartidas.

"Em um dos encontros, tivemos do Ministério da Saúde a referência de R$ 84 milhões que seriam ofertados para auxílio da fábrica, mas até o momento estes recursos não foram disponibilizados", afirmou Secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn. "De toda sorte, toda movimentação que tem sido feita teve ampla participação do capital privado, que aportou no momento de crise pandêmica o apoio ao governo."

Em fase final de estudos clínicos no Brasil, a Coronavac é considerada uma das vacinas mais promissoras pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, os testes são conduzidos em sete Estados brasileiros e no Distrito Federal. 

Segundo Dimas Covas, a Coronavac já teria sido aplicada em mais de 10 mil pessoas na fase 3 do estudo. Até o momento, entretanto, não é possível concluir sobre a eficácia do imunizante.

Para isso, a pesquisa precisa atingir o número mínimo de infectados que permita comparar o grupo que recebeu placebo com o outro em quem, de fato, o imunizante foi aplicado. "Estamos aguardando que apareçam no mínimo 61 casos de covid", disse Covas. "A qualquer momento nós podemos atingir esse número."

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