Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Primeiros casos da variante indiana do novo coronavírus são confirmados no Maranhão

Até o momento, seis amostras analisadas pelo Instituto Evandro Chagas confirmaram a presença da cepa B.1617, considerada uma 'preocupação global' pela OMS

Victoria Netto, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 12h15
Atualizado 02 de junho de 2021 | 11h15

O governo do Maranhão confirmou nesta quinta-feira, 20, os primeiros casos de covid-19 provocados pela variante do coronavírus B.1.617, originada na Índia.  Ela foi identificada em seis dos 24 tripulantes do navio MV Shandong da ZHI, que veio da África do Sul e está impedido de atracar em solo maranhense. O diagnóstico inicial foi em um indiano de 54 anos que deu entrada em um hospital da rede privada em São Luís na sexta-feira passada, 14. 

A notícia foi dada pela Secretaria de Comunicação (Secom) após coletiva de imprensa realizada nesta manhã com o secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula. Segundo ele, dos 24 tripulantes, 15 apresentaram testes positivos, mas só foi possível fazer o sequenciamento genômico de seis — os demais tinham carga viral baixa para a análise. 

O secretário também comentou a notícia nas redes sociais. "Vale lembrar que a equipe que atendeu a tripulação se deslocou por via aérea foi testada antes e depois da ação e permanece em isolamento. Os demais profissionais em contato com o paciente estão sendo monitorados e testados. Informo, ainda, que já iniciamos a vacinação dos profissionais da área portuária", escreveu. 

As equipes que trabalham no hospital serão testadas a partir de hoje. A estimativa é de que 100 pessoas sejam acompanhadas, desde médicos, enfermeiros e técnicos até os profissionais de limpeza.

O navio, que navega com bandeira de Hong Kong, mas conta com diversos tripulantes indianos, saiu da África do Sul no dia 21 de abril e chegou ao Maranhão no dia 8 de maio. O navio está ancorado na área de fundeio do porto da capital, foi colocado em quarentena e não recebeu autorização para atracar.

A suspeita de que os tripulantes poderiam ter a nova cepa surgiu após três homens — entre eles, o paciente ainda internado em São Luís— apresentarem sintomas de coronavírus, quando foram conduzidos para atendimento hospitalar na sexta-feira, 14. No primeiro comunicado, divulgado no domingo, 16, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou que foi alertada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a possibilidade e os riscos da nova variante.

Segundo a pasta, um teste já havia diagnosticado que se tratava de covid-19, mas ainda não havia confirmação sobre qual cepa teria causado a doença. Amostras do vírus foram enviadas ao Instituto Evandro Chagas, em Belém, no Pará, para a realização do sequenciamento genômico. O resultado saiu nesta madrugada.

‘Preocupação Global’

Médicos e cientistas têm demonstrado preocupação com a variante indiana B.1617, que teria capacidade de transmissão maior do que a cepa original do vírus. Ela foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma "preocupação global".

Em 14 maio, três semanas após o início do agravamento da situação da pandemia na Índia, o governo brasileiro proibiu voos com origem ou passagem pelo país asiático.  Outros países já tinham adotado medida restritiva semelhante. Os Estados Unidos, por exemplo, proibiram voos da Índia no dia 4 de maio. Voos de carga não estão incluídos na restrição.

Cientistas pedem medidas para evitar cepa indiana do coronavírus no Brasil

Especialistas alertam que o governo federal deve adotar barreiras sanitárias e ações de testagem para pessoas oriundas de outros países. A variante indiana foi classificada pela OMS como “variante de interesse”. É diferente daquelas identificadas inicialmente no Reino Unido, Brasil e na África do Sul, consideradas “variantes de preocupação”.

“Nós ainda sabemos muito pouco sobre essa variante”, disse a imunologista Ester Sabino, da USP, uma das responsáveis pelo sequenciamento do vírus no Brasil. “Mas vivemos em um mundo globalizado; qualquer nova variante, em qualquer lugar do mundo, pode chegar aqui como chegou a pandemia que começou em Wuhan.

Mas quanto mais variantes circulam, maior é a tendência de surgimento de novas mutações, alertam os cientistas. Esse movimento é possível sobretudo em um País em que a vacinação contra a covid-19 avança tão lentamente, como o Brasil./ Com informações da agência Reuters

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