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Primeiro dia de 'lockdown' em Fortaleza tem congestionamento em pontos de fiscalização

Capital cearense é a terceira do País a adotar medidas mais rigorosas de isolamento social contra o coronavírus; Secretaria de Segurança Pública informa que foram quase 150 carros abordados e 15 ocorrências de aglomeração de pessoas

Lôrrane Mendonça, especial Para O Estado, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 17h14

FORTALEZA - Durante esta sexta-feira, 8, primeiro dia de isolamento total em Fortaleza, o chamado lockdown, motoristas tiveram de enfrentar engarrafamento em ruas e avenidas com barreiras de fiscalização. Blitze foram montadas ainda na madrugada desta sexta-feira com a atuação de agentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) e de policiais e bombeiros militares.

O motorista de escolta Rogério Araújo afirma que está cumprindo a quarentena em casa, mas teve de se deslocar para buscar cestas básicas na empresa em que trabalha. Ele conta, porém, que enfrentou uma enorme fila de carros. Araújo, de 56 anos, mora no bairro Maraponga, distante 14 km do centro, e a empresa fica na Região Metropolitana. "Na ida, fui parado por uma fiscalização da Polícia Rodoviária Estadual. Quando eu estava indo deixar uma cesta básica na casa do meu pai, que mora no bairro Messejana, o engarrafamento estava muito grande", disse. "Uma outra blitz da PM me parou, os guardas pediram meu comprovante de endereço, perguntaram de onde eu estava vindo e para onde estava indo, revistaram meu carro e depois liberaram a minha passagem”, continuou.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSPDS), até manhã desta sexta-feira, 8, foram quase 150 carros abordados e com dados inseridos no Portal do Comando Avançado (PCA), ferramenta utilizada pelos agentes de segurança para o controle de pessoas que são paradas nas barreiras. Além disso, as equipes atenderam ainda 15 ocorrências de aglomeração de pessoas e outras nove referentes a comércios abertos.

De acordo com o secretário da pasta, André Costa, não foi registrada nenhuma condução até delegacias da Polícia Civil desde o início do decreto. “Não temos prisões registradas, mas temos vários registros de pessoas que tiveram de retornar para suas casas, porque, ao passar pelos pontos de controle, verificou-se que não estavam usando máscara ou saíram em situação que não justificava, como indica o enquadramento das exceções previstas no decreto", justificou.

Atenção à periferia

O assistente de logística José Maria, de 43 anos, concorda com o isolamento total, mas defende que as autoridades deveriam dar mais atenção aos bairros da periferia. Segundo ele, os moradores dessas áreas não respeitam o decreto. “A gente percebe, quando vai às compras, que a movimentação de carros pode ter diminuído, mas, nos bairros, a gente vê muita gente nas ruas, pessoas que sequer usam máscaras. Na minha opinião, eles (agentes) estão perdendo tempo parando carros, sendo que é na periferia que tem mais gente contaminada”, alertou.

Segundo o comandante geral da Polícia Militar do Ceará, Coronel Alexandre Ávila, haverá agentes a pé, de moto e carro fazendo ronda nas ruas, além de blitze volantes em diversos bairros da capital cearense. “São mais de 300 policiais exclusivamente dedicados à operação, diariamente, distribuídos em três atividades básicas: as barreiras de controle de acesso à cidade; blitze volantes móveis, com policiais de motocicleta em 104 quadrantes dentro de Fortaleza; e barreiras fixas, em pequeno espaço de tempo, em 20 corredores da cidade”.

Ainda de acordo com a SSPDS, no bairro Parque Santa Rosa, na periferia da capital, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), com o apoio da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), desmontou uma feira que acontecia na Rua Raimundo Aristides na manhã desta sexta-feira, 8. As fiscalizações para identificar outros locais com a presença de vendas ao ar livre e sobre o funcionamento de estabelecimentos comerciais estão em andamento. As ações são guiadas por dados de ligações feitas à Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), por meio do 190.

Lockdown em Fortaleza

Até o dia 20 de maio, o 'lockdown' restringe, principalmente em Fortaleza, epicentro da covid-19 no Ceará, a circulação de pessoas e veículos em ruas, avenidas e espaços públicos. Além da obrigatoriedade do uso de máscaras ao sair de casa, todos devem usar o equipamento também dentro dos transportes públicos e particulares.

Uma outra obrigação é portar documentos que justifique a saída, caso haja necessidade de alguma atividade essencial, como ida ao supermercado, farmácia ou serviços de saúde. Trabalhadores de empresas autorizadas a manter as atividades devem apresentar declaração emitida pela instituição ou o crachá de identificação.

O secretário André Costa explica que, quem desobedecer a ordem, poderá ser encaminhado à delegacia. “Somente em caso de resistência é que utilizaremos a força policial, conforme previsto. Se a pessoa descumprir com essa obrigação, com esse dever de permanência domiciliar, ela poderá ser responsabilizada e, inclusive, responder criminalmente".

O Ceará registra, até esta sexta-feira, 8, 14.956 casos confirmados de coronavírus e 966 óbitos. Em Fortaleza, são 10.348 pessoas infectadas e 743 mortes. O Estado tem ainda 30.256 casos em investigação.

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