Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Primeiro dia do passaporte da vacina em SP tem operação para checagem e barrados de outros Estados

Capital paulista começou a exigir hoje comprovante de vacinação para acesso a grandes eventos. Em feira na zona norte, visitantes acabaram impedidos de entrar e criticaram o pouco tempo para se adaptar ao decreto municipal

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2021 | 13h28

O primeiro dia de obrigatoriedade do passaporte da vacina contra covid em São Paulo, nesta quarta-feira, 1, mudou a rotina do setor de eventos, o primeiro a exigir comprovação dos frequentadores. Apresentar o certificado (digital ou impresso) se tornou o item principal do protocolo de prevenção.

Mas nem todos os visitantes das feiras, congressos e exposições puderam entrar. Visitantes ainda não vacinados, em geral vindos de Estados que ainda não imunizaram toda a população adulta, simplesmente foram barrados.

Para entrar na ABcasa.Fair, evento que se intitula a maior feira de artigos para casa da América Latina, era imprescindível apresentar o comprovante antes de passar pelos protocolos sanitários. Os visitantes do Expo Center Norte, Zona Norte, eram alertados com a insistente frase “Comprovante de vacinação na mão”. “Estamos fazendo a triagem desde o estacionamento para conscientizar as pessoas”, confirmou Eduardo Turqueto, presidente da feira.

Nem todo mundo conseguiu cumprir essa exigência. Profissionais que ainda não se vacinaram não entraram na feira. A situação foi comum entre os frequentadores de outros Estados, que apresentam calendários de vacinação diferentes – São Paulo é o o maior com número de vacinados em números absolutos.

As decoradoras Leona e Caroline Hoffmann, mãe e filha que viajaram de Timbó (SC) e trabalharam na área de decoração, tiveram de se separar e não conseguiram participar juntas. A mãe está vacinada; a filha, de 23 anos, não. Uma acompanhou a feira em busca de novidades para a loja em Santa Catarina; a outra voltou para o hotel na zona norte.

Inconformado com a divisão que também teria de fazer na equipe de trabalho, o empresário baiano João Carlos Vieira prometeu abrir uma ação judicial contra a Prefeitura de São Paulo por danos materiais. Embora ele estivesse vacinado, Felipe Portugal e Tales Nunes, de 22 e 19 anos, seus companheiros de trabalho, ainda não se vacinaram. Todos vieram de Vitória da Conquista (BA) que está vacinando agora pessoas com 30 anos. "Eu não tenho culpa se meu Estado ainda não vacinou todo mundo". 

De acordo com o decreto publicado no sábado, 28, organizadores de shows, feiras, congressos e jogos deverão solicitar comprovante de vacinação do cidadão de pelo menos uma dose contra covid-19.

Alguns visitantes da Feira de Gestante, Criança e Bebê, realizada no Morumbi, Zona Sul da cidade, criticaram o pouco tempo que tiveram para se adaptar ao decreto municipal. O representante comercial João Pedro Vieira saiu de Uberlândia no dia 26 de agosto e percorreu várias cidades até a capital paulista. “Não tive tempo de me programar. Quando eu saí da minha cidade, a regra era uma. Agora, já é outra”, reclamou.

Diante das dificuldades, os organizadores abriram exceções e começaram a aceitar fotos dos comprovante de vacinação enviados pelos parentes dos frequentadores. De acordo com o decreto, só deveriam ser aceitos o documento original, seja ele físico ou digital (plataformas e-saúdeSP, VaciVida e ConectSus). A verificação é feita por QR Code pelo aplicativo e-saúde da Prefeitura. A Secretaria Municipal de Saúde informou que até 31 de agosto, 627 mil usuários estavam cadastrados no aplicativo e-saúdeSP. Após o anúncio do passaporte da vacina, em 24 de agosto, foram registrados 120 mil novos usuários e, somente nesta quarta-feira, 1.º, foram feitos 20.054 cadastros.

O Estadão presenciou quando as irmãs Adriane e Romy Tomazel receberam a foto do comprovante da vacinação completa com a Pfizer enviada por um parente do Rio Grande do Sul e foram apressadas para a portaria com o celular na mão. 

Os estabelecimentos que não respeitarem a determinação municipal estarão sujeitos às penalidades previstas em decreto de março de 2020, que estabelece multa baseada nos parâmetros da Lei de Ocupação e Uso do Solo e até interdição e cassação da licença. Os valores dependem do enquadramento da infração e das características do estabelecimento.  

A realidade vai se adaptando à nova normal municipal. Embora o evento Space Adventure, realizado no Shopping Eldorado, zona oeste, esteja na lista da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento com capacidade para 800 pessoas, os funcionários não estavam solicitando o comprovante de vacinação na tarde de ontem. 

Questionada, a assessoria da exposição informou que o evento recebe grupos pequenos que permanecem apenas 20 minutos para controle do fluxo. “Apesar de ter alvará para até 500 pessoas, a Exposição “Space  Adventure” permite o acesso simultâneo de até 380 pessoas por hora, é visitada por grupos de de 30 pessoas, não atingindo o mínimo necessário exigido pela Prefeitura de São Paulo para apresentação do Passaporte de Vacinação”.

De maneira geral, a não ser por problemas pontuais, os visitantes conseguiram baixar os aplicativos E-saúde (municipal), Poupatempo digital (estadual) ou Conecte Sus (nacional) em todos os endereços visitados. Para  não perder o cliente, os organizadores da feira da Zona Norte ofereceram até wi-fi grátis.

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