Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Primeiro estudo nacional de coronavírus estima número de casos sete vezes maior no Brasil

Taxa de imunização detectada em 90 cidades foi de apenas 1,4%, mostra pesquisa da Universidade Federal de Pelotas

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2020 | 22h31

SÃO PAULO - Pesquisa nacional da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para rastrear a imunidade dos brasileiros ao novo coronavírus indica que a proporção de pessoas com anticorpos é de 1,4% em 90 cidades analisadas.  A taxa pode variar de 1,3% a 1,6% pela margem de erro. Foram testados 25.025 moradores de 90 municípios, incluindo 21 capitais.

A população desses municípios corresponde a 25,6% do total de brasileiros, entre as quais 760 mil (margem de erro de 705 mil a 867 mil) estariam infectadas. O número é sete vezes maior do que o das estatísticas oficiais nessas localidades. "Os casos confirmados, que aparecem nas estatísticas oficiais, representam apenas a ponta visível de um iceberg cuja maior parte está submersa. Para conhecer a magnitude real do coronavírus, é obrigatória a realização de pesquisas populacionais”, dizem os pesquisadores do grupo.

O estudo teve financiamento do Ministério da Saúde e a coleta de dados foi de responsabilidade do Ibope Inteligência. Há ainda grandes diferenças entre os municípios. Em Breves (no Pará, um dos Estados mais atingidos pela pandemia), a taxa obtida foi de 24,8% enquanto no Rio, o indicador ficou em 2,2%. Na cidade de São Paulo, é de 3,1%. 

Estudo semelhante já foi feito na capital paulista e identificou índice de imunização de 5,2%. Esse trabalho tem sido desenvolvido por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com apoio do Instituto Semeia e participação de profissionais do Laboratório Fleury e Ibope Inteligência. Cientistas calculam que o índice de infectados deve ser de ao menos 60% para a imunidade de rebanho na população, o que reduz o avanço do surto.

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