Privação de sono libera 135 calorias, revela pesquisa americana

Pela 1ª vez, cientistas mediram a quantidade de energia perdida em noite de vigília

12 Janeiro 2011 | 23h16

Pela primeira vez, cientistas americanos mediram a quantidade de energia perdida durante uma noite de privação de sono. Os resultados, publicados na revista científica Journal of Physiology, revelam um total de 135 calorias, o equivalente a duas fatias de pão ou um copo de 225 ml de leite semidesnatado.

Em termos de esforço físico, essa energia gasta equivale a andar pouco menos de 3,2 km. Por outro lado, 8 horas de sono economizam aproximadamente a mesma quantidade de calorias.

"Apesar de a quantidade de energia poupada durante o sono parecer pequena, é mais do que esperávamos", diz o professor Kenneth Wright, principal autor do estudo e diretor do Laboratório de Cronobiologia e Sono da Universidade do Colorado. "Se considerarmos que a quantidade de armazenamento diário de energia necessária para uma epidemia da obesidade é de 50 calorias, a economia de energia representada pelo sono é fisiologicamente significativa", explica.

A pesquisa incluiu sete adultos jovens, e os obrigou a permanecer na cama e a seguir uma dieta de manutenção de peso por três dias. O primeiro dia consistiu em uma vigília típica de 16 horas, seguida de 8 horas de sono. No segundo e terceiro dias, eles passaram por 40 horas de privação total de sono, seguida de 8 horas de sono de recuperação.

Os resultados mostraram que, em comparação com uma típica noite de sono, a quantidade de energia gasta pelas pessoas nas 24 horas de privação aumentou cerca de 7%. Em contrapartida, o gasto energético diminuiu para 5% no episódio de recuperação, que abrangeu 16 horas de vigília (após a noite de privação) e 8 horas de sono de recuperação.

O estudo prova que há uma relação direta entre o ciclo vigília-sono e o modo como o corpo usa a energia. Ela também demonstra que a privação é metabolicamente cara. "A função do sono, especialmente nos humanos, é considerada um dos maiores enigmas científicos", afirma Wright, que espera que os novos dados ajudem os pesquisadores a entender melhor uma parte desse quebra-cabeça.

Uma questão decorrente desse estudo se refere a por que os seres humanos não economizam mais energia durante o sono. "Há outras funções do sono, que são importantes e demandam energia", explica Wright. "Alguma energia conservada pode ser redistribuída para apoiar processos fisiológicos vitais, como a consolidação da memória e do aprendizado, o sistema imunológico e a síntese e liberação de hormônios", acrescenta.

Wright adverte que o gasto energético pela privação de sono não é uma estratégia segura nem eficaz para a perda de peso. Pelo contrário: outros trabalhos têm mostrado que a privação crônica de sono está associada a dificuldades cognitivas e ao ganho de peso. O pesquisador espera que um levantamento iniciado recentemente em seu laboratório lance mais luz sobre essas relações e deem resultados úteis para a população em risco.

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