Problemas na gravidez matam 500 mil mulheres ao ano

As hemorragias são as causas mais freqüentes de morte, sobretudo na África e na Ásia

EFE,

19 de setembro de 2008 | 14h44

Mais de 500 mil mulheres morrem todos os anos por motivos relacionados à gravidez e ao parto - 99% delas nos países em desenvolvimento, e destas, 84% na África e no sul da Ásia -, segundo um relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).   Brasil reduz miséria e atinge meta da ONU   Além disso, dez milhões de mulheres sofrem lesões, infecções, doenças ou incapacitação em conseqüência da gravidez ou do parto, o que se traduz em uma vida de sofrimentos, acrescenta o estudo. "As causas da mortalidade materna são claras, assim como os meios para combatê-la. No entanto, as mulheres continuam morrendo inutilmente", disse Peter Salama, chefe do departamento de saúde do Unicef, ao apresentar o relatório.   "As mulheres perdem a vida porque não têm acesso aos serviços de saúde ou porque a qualidade do atendimento é ruim", ressalta o relatório.   As hemorragias são as causas mais freqüentes de morte, sobretudo na África e na Ásia. As infecções, os transtornos hipertensivos, os abortos de risco, o trabalho de parto prolongado ou a obstrução do mesmo são as causas diretas mais freqüentes que provocam a morte da mãe, informou Salama.   Porém, a Aids, a anemia e a malária também influenciam de forma indireta na saúde geral da mulher. Embora a taxa de mortalidade em escala mundial tenha caído 5,4% entre 1990 e 2005 - passou de 430 para 400 mortes maternas por cada 100 mil nascidos vivos -, esse avanço é muito lento, afirma o Unicef, e nesse ritmo não se poderá cumprir o Objetivo do Milênio de diminuir a mortalidade materna até 2015. Enquanto no mundo em desenvolvimento o risco de morte por complicações derivadas da maternidade é de um em 76, no mundo industrializado é de um em oito mil.   O país onde as mulheres correm mais riscos de perder a vida por esta causa é Níger, com uma em cada sete.   O responsável do Unicef destacou que a maioria das mortes maternas pode ser evitada com atendimento pré-natal, serviços de assessoria, diagnóstico da Aids e assistência de profissionais qualificados durante a gestação.   Apesar de, no mundo em desenvolvimento, o atendimento pré-natal ter aumentado na última década e 75% das grávidas receberem atualmente algum tipo de auxílio, o dado é insuficiente. "Não podemos permitir moralmente que esta situação continue no mundo em desenvolvimento", disse Salama, "porque os efeitos adversos da mortalidade materna se estendem à família e aos recém-nascidos".   Os dados do Unicef indicam que o bebê que perde a mãe nas primeiras seis semanas de vida tem mais possibilidade de morrer antes de completar dois anos do que aquele cuja mãe sobrevive. E as crianças sem mãe têm menos possibilidades de depois ingressar na escola, acrescentou Salama.   O relatório conclui que, já que as causas da mortalidade materna são claras, assim como os meios para combatê-las, "a razão pela qual permaneceram desatendidas durante tanto tempo é a desvantajosa condição social, política e econômica da mulher em muitas sociedades".

Tudo o que sabemos sobre:
unicefáfricamorte materna

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.