Procura por cursos para cuidador cresce; maioria sai empregada

Desafio é oferecer mais ações de prevenção e promoção da saúde; grade horária considera as orientações federais

Fabiana Cambricoli e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2018 | 06h00

SÃO PAULO - Com a demanda crescente por cuidadores, tem aumentado também o número de pessoas que buscam cursos na área. A Central Nacional Unimed começou a oferecer curso gratuito de cuidador em 2014, com 22 vagas. Em 2018, o número de postos oferecidos saltou para mais de 600 e, mesmo assim, a expansão não foi suficiente. 

“Foram 5 mil inscritos. Ofertar esse curso é necessário porque há muitas pessoas trabalhando na área sem a capacitação adequada. Entre nossos participantes, 30% já atuavam na área mesmo antes do curso”, diz Alexandre Ruschi, presidente da entidade. “No sistema Unimed, temos promovido mudanças na assistência para oferecer mais ações de prevenção e promoção de saúde e a capacitação do cuidador vai nessa linha.” Segundo Ruschi, 70% dos alunos saem do curso empregados. 

No Senac-SP, a demanda também é grande. Desde 2009, 9 mil profissionais já se formaram. A montagem da grade levou em consideração as orientações contidas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Embora o cuidador não possa realizar procedimentos invasivos, como aplicar injeções, a parte de saúde também é incluída no curso.

“Precisa dar conta das questões de saúde e emocionais e trabalhar para que o idoso seja inserido no contexto social, com atividades que ele gosta. Tem de ajudar, mas desenvolvendo a independência”, diz a gerontóloga Karen Elise de Campos, professora do Senac-SP.

Na Cruz Vermelha de São Paulo, o número de formados quase quadruplicou nos últimos dez anos, passando de 102 em 2008 para 401 neste ano. “A sensibilização é importante para o cuidador entender por que o idoso age daquele forma. O curso é pertinente para quem quer atuar na área e para a família”, conta Márcio José da Silva, especialista em gerontologia e coordenador do curso. 

Na avaliação de Karen, o perfil de interessados pela formação mudou. “Antes, eram mulheres de meia idade, que estavam voltando para o mercado. Hoje, recebemos pessoas com pós-graduação, assistentes sociais, estudantes de Enfermagem e de Fisioterapia.”

Dados do MTE mostram que, de fato, os cuidadores hoje têm nível de escolaridade maior do que há dez anos. Em 2007, 63,2% deles não tinham nem ensino médio completo. No ano passado, esse índice caiu para 25,1%.

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