Procurador de Udine autoriza enterro de Eluana Englaro

Biancardi autorizou o sepultamento após receber os resultados da necropsia realizada na terça-feira

Efe,

11 Fevereiro 2009 | 17h01

O Procurador de Udine, Antonio Biancardi, autorizou nesta quarta-feira, 11, o enterro de Eluana Englaro, morta na segunda-feira, com a suspensão de sua alimentação e hidratação, depois de passar 17 anos em estado de coma vegetativo.   Veja também: Eluana estava 'irreconhecível', diz jornalista que a visitou 'Sou o único responsável', diz pai de Eluana após morte da filha  Você concorda com a decisão de deixar Eluana morrer? Perguntas e respostas: entenda o caso  Veja tudo que foi publicado sobre o caso    Biancardi autorizou o sepultamento após receber os resultados da necropsia realizada na terça-feira, 10, e que confirmaram a morte de mulher, devido a uma parada cardiorrespiratória provocada por desidratação.   O aval de Biancardi coincide com a opinião do procurador-geral da Corte de Apelação de Trieste, Beniamino Deidda, que disse hoje que as causas do falecimento da jovem são "compatíveis" com o protocolo médico.   Vaticano   Eluana não será cremada, ao contrário da primeira intenção da família, informou hoje à imprensa italiana o tio da mulher, Armando Englaro. O corpo de Eluana será enterrado no cemitério de San Daniele, na localidade de Paluzza (Itália).    O papa Bento XVI disse hoje que a vida do ser humano "não é um bem disponível", e que é preciso cuidar dela desde o momento da concepção até a morte, dois dias após o falecimento da italiana Eluana Englaro, aos 38 anos, que teve a alimentação e hidratação artificial cortadas.   O pontífice fez esta afirmação diante de milhares de doentes que assistiram, na basílica de São Pedro, do Vaticano, à missa pelas pessoas com problemas de saúde na festa de Nossa Senhora de Lourdes, realizada hoje e que, para a Igreja, também é o Dia Mundial do Doente.   Diante de uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes, Bento XVI lembrou sua viagem, em setembro, ao Santuário Mariano construído nos Pirineus franceses e o encontro com dezenas de milhares de doentes, e disse que o dia convida a sentir "com maior intensidade" a proximidade espiritual da Igreja com os que sofrem.   "A vida do homem não é um bem disponível, mas um precioso cofre que é preciso guardar e cuidar com todo o zelo possível desde o momento de sua concepção até a morte natural. A vida é um mistério que, por si só, exige responsabilidade, amor, paciência e caridade por parte de cada um de nós", afirmou o pontífice.   Caso Schiavo   O pai de Terri Schiavo, a americana que morreu em março de 2005 depois que a Justiça dos Estados Unidos autorizou o desligamento da sonda que a mantinha viva, afirma que o debate sobre a eutanásia não termina com as mortes de sua filha e da italiana Eluana Englaro.   "Uma coisa que sabemos é que o assunto não morre com Terri ou Eluana, porque há dezenas de milhares de pessoas que vivem com o mesmo tipo de doença", diz Robert Schindler em carta a Giuseppe Englaro, pai de Eluana, publicada pelo jornal digital "Ilsussidiario.net" e sobre a qual informa hoje a imprensa italiana.   O caso de Eluana, em coma vegetativo desde 1992 e que morreu na segunda-feira após a suspensão da alimentação e hidratação artificial, com a autorização do Supremo italiano, foi rapidamente comparado com o de Schiavo, devido às circunstâncias e à relevância política que chegou a ter.   A família de Terri protagonizou uma disputa judicial para tentar prolongar a vida dela, a que o marido era contra, o que levou à intervenção do então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que coincidiu com grupos cristãos e conservadores que a adotaram como uma batalha contra a eutanásia.   "Rezamos para que o pai de Eluana e todos que participaram de sua morte possam um dia voltar a dar valor à vida e entender que todas as pessoas foram criadas com igualdade de dignidade e respeito", diz Schindler.   "Não importa que doença possam ter, o que dá qualidade e valor à vida é o amor, amar e ser amado. O amor é o árbitro final da vida e a eutanásia é o abandono do amor. Onde há amor, há esperança", acrescenta.   O pai da americana diz que a família "não passa um dia sem pensar em nossa amada Terri, e ainda sofremos por uma perda tão grande".   (Ampliada às 17h31)

Mais conteúdo sobre:
eutanásia Eluana Englaro

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.