Procuradoria recomenda prisão de médico da UFRJ

Também foi pedida a suspensão do habeas corpus obtido Joaquim Ribeiro Filho, preso na Operação Fura-Fila

Fabiana Cimieri, especial para o Estado,

07 de agosto de 2008 | 20h11

A Procuradoria Regional da República da 2ª Região emitiu parecer na noite de quinta-feira, 7, recomendando a volta à prisão do médico Joaquim Ribeiro Filho e pedindo a suspensão do habeas corpus obtido por ele na terça-feira, 5, em caráter liminar. O Estado tentou entrar em contato com seus advogados, mas não obteve retorno. Ribeiro filho foi preso pela Operação Fura-Fila da Polícia Federal.   O parecer ainda será apreciado pela 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal, que decidirá se determina ou não a volta à prisão do médico, acusado de desrespeitar a fila de transplantes de fígado no Rio.   Uma das testemunhas contra o médico Joaquim Ribeiro Filho, o comerciante José Carlos Scarambone, de 56 anos, acusou-o, em depoimento na Polícia Federal, de tê-lo ameaçado e de ter cometido erro médico. A acusação foi uma das que serviram de base para a denúncia do Ministério Público contra o cirurgião do Hospital Clementino Fraga Filho. Os advogados de Ribeiro Filho têm reiterado que seu cliente é inocente das acusações.   Scarambone afirmou que, no dia 17 de maio de 2002, foi operado por Ribeiro Filho numa clínica particular da zona sul do Rio. Ele precisava retirar um tumor do fígado antes de poder ser submetido ao transplante. O médico, no entanto, teria retirado um nódulo benigno de 2,5 centímetros, em vez do tumor maligno, de 4 centímetros.   Ao descobrir o erro, um mês após a cirurgia, Scarambone sustou três dos cinco cheques de R$ 2 mil que havia dado ao cirurgião em pagamento. O comerciante procurou Ribeiro Filho e disse que iria denunciá-lo ao Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj). Conforme o depoimento à Polícia Federal, o médico então o ameaçou, dizendo que "mais tarde, como precisaria de um transplante, iriam se encontrar na fila".   O caso de Scarambone foi um dos usados pelo juiz Lafredo Lisboa, da 3ª Vara Criminal Federal, para justificar a prisão preventiva contra Joaquim. O médico foi preso dia 30, mas acabou solto terça-feira, ao ter habeas corpus concedido pelo Tribunal Regiona Federal.   Segundo Lisboa, Joaquim "exerceu comprovado constrangimento sobre ao menos um de seus pacientes, ameaçando, inclusive, de lhe faltar, por ocasião de um provável transplante, com a assistência médica".   Após três anos na fila, o comerciante foi transplantado em 27 de janeiro de 2005, no Hospital Geral de Bonssucesso (HGB). Seu nome constava na lista do Clementino Fraga Filho (Fundão), em que trabalha Joaquim Ribeiro. Após o desentendimento, porém, assinou uma declaração pedindo para mudar de hospital.

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