Divulgação/Eurofarma
Divulgação/Eurofarma

Produtora da vacina da Pfizer no Brasil, Eurofarma vive expansão internacional

Primeira multinacional do setor nascida no País se tornou uma das maiores empresas de medicamentos da América Latina nos últimos anos

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2021 | 10h00

A Eurofarma, que acabou de fechar uma parceria com a Pfizer e a BioNTech para produzir vacinas contra a covid-19 para o Brasil e a América Latina, se tornou uma das maiores empresas de medicamentos da região nos últimos anos. A empresa, fundada em 1972, teve um bom ano mesmo durante a pandemia: alcançou faturamento de R$ 6,2 bilhões no ano passado, aumento de 16% em relação ao apresentado em 2019.

Hoje, a Eurofarma é uma das gigantes dos medicamentos genéricos no Brasil, que tiveram a comercialização liberada em 2001. Inclusive, é uma das principais vendedoras do medicamento citrato de sildenafila, o genérico do Viagra, da agora parceira Pfizer (a patente do remédio foi perdida em 2013). A abertura desse mercado foi fundamental para que diversos laboratórios brasileiros conseguissem ganhar escala e importância dentro do mercado nacional. 

Antes disso, a companhia foi fazendo uma série de aquisições para se tornar uma das maiores do País. Em 1982, por exemplo, comprou o ISA, o primeiro laboratório brasileiro a produzir penicilina. Em toda a sua história, foram mais de dez aquisições. Com isso, a empresa atua na maioria dos segmentos farmacêuticos, como medicamentos com e sem prescrição médica, oncologia, veterinária e hospitalar.

O acordo assinado com a americana Pfizer faz parte dos planos internacionais da empresa, que se tornou a primeira multinacional do setor nascida no Brasil. A previsão é de que sejam fabricadas mais de 100 milhões de doses anuais, destinadas a países da América Latina. Na última década, a ordem dentro da companhia era expandir os negócios para fora do País. O primeiro passo foi dado em 2009, quando a empresa comprou a argentina Quesada Farmacêutica.

Porém, a aceleração ocorreu mesmo nos últimos anos. Em março de 2020, a farmacêutica assinou um acordo com a Hypera para comprar a antiga operação da América Latina da Takeda, por US$ 161 milhões. O negócio foi concluído em janeiro deste ano e representou a maior aquisição da empresa em valor, o que agregou ao portfólio da companhia 12 medicamentos, entre próprios e licenças, que geram US$ 38 milhões anuais em vendas.

Com a aquisição, os negócios fora do Brasil passaram a representar 20% das receitas da Eurofarma, que pretende elevar essa fatia para 30% no próximo ano. A Eurofarma atua em 20 países da América Latina e tem sete fábricas espalhadas pela região – somente três operam no Brasil. Mas o negócio com a Pfizer pode representar um início de expansão para outras regiões, na visão de consultores do setor.

“A Pfizer deve ter visto a penetração da Eurofarma na América Latina como diferencial, assim como a operação da companhia, que está na prateleira de cima do setor. Para a Eurofarma também vai ser positiva a entrada em um segmento como o de vacinas”, diz Lourival Stange, especialista na indústria farmacêutica e sócio da consultoria Solution.

O próprio consultor não enxerga como um problema a questão de a empresa não ter experiência na área. “A produção da vacina é bem similar à de remédios convencionais, com algumas poucas adaptações, e a Eurofarma vinha investindo bastante em pesquisa e desenvolvimento”, diz.

Ajuda também o fato de a Eurofarma receber diretamente o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da Pfizer. A fabricação começará no ano que vem e a produção anual poderá chegar a 100 milhões de doses quando as fábricas estiverem em plena capacidade operacional.

“Estamos disponibilizando nossos melhores recursos em capacidade industrial, tecnologia e qualidade para este projeto, para que possamos cumprir o contrato com excelência e contribuir com o abastecimento do mercado latino-americano”, disse Maurizio Billi, presidente da Eurofarma, por meio de nota.

O presidente da empresa é o filho do imigrante Galliano Billi, que fundou a empresa há quase 40 anos e faleceu em março do ano passado. Maurizio, que assumiu o negócio no início dos anos 2000, continua à frente da empresa até hoje e se tornou um dos homens mais ricos do País. Segundo a revista Forbes, é a 56.ª pessoa mais rica do Brasil, com uma fortuna estimada em US$ 1,4 bilhão. Procurada, a Eurofarma não quis se pronunciar.

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