Produtos ferem lei e têm corantes em excesso

Os brasileiros estão comendo guloseimas sem saber que elas podem fazer mal à saúde. Uma pesquisa do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) estudou 44 alimentos doces - balas, iogurtes, refrigerantes e sorvetes - e constatou que 25 apresentam algum tipo de problema no uso de corantes. Ou a embalagem não informa corretamente o tipo de corante utilizado ou a quantidade está acima do permitido por lei. Na maioria das vezes artificiais, os corantes são substâncias que dão as cores aos alimentos. O iogurte de morango e o refrigerante de laranja têm as cores características não por causa das frutas, mas sim pelos corantes. Estudos mostram que esses produtos podem causar reações alérgicas - dificuldades respiratórias, irritação gástrica e problemas de pele. Por isso, em alguns países a indústria alimentícia está proibida de empregar certos corantes. Segundo o Idec, o principal problema das guloseimas é a quantidade de corantes. De acordo com um decreto de 1961, cada alimento pode conter até três tipos diferentes. Alguns produtos chegam a ter seis. O Idec fez a análise com base nas informações das próprias embalagens. Um dos corantes mais empregados nos alimentos é o amarelo tartrazina - proibido em países da Europa. Uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) obriga que haja um alerta sobre a presença desse corante - mas só nos medicamentos. "Este produto contém o corante amarelo tartrazina, que pode causar reações de natureza alérgica, entre as quais asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao ácido acetilsalicílico", diz a norma da agência. O Idec faz uma campanha para que a Anvisa estenda a exigência do alerta às embalagens das guloseimas. "O que mais preocupa é o fato de a maioria desses alimentos ser direcionada às crianças", afirma o sanitarista e consultor do Idec Sezifredo Paz. Outro problema apontado pelo Idec foi o fato de algumas embalagens não informarem os nomes dos corantes, apenas os códigos numéricos. O Código de Defesa do Consumidor diz que os consumidores precisam ter todas as informações com clareza. O jornal O Estado de S. Paulo procurou as empresas cujos produtos apresentaram problemas. Coca-Cola, AmBev e Schincariol (refrigerantes) dizem que trazem apenas os códigos porque isso é permitido por lei. Kraft, Arcor, Masterfoods e Dori (confeitos) admitem que cada embalagem contém mais de três tipos de corante, mas que isso ocorre porque se somam os confeitos coloridos - cada confeito isolado está de acordo com a norma. Para a coordenadora do Idec, Marilena Lazzarini, o argumento não vale: "Quem compra um pacote de confeitos para comer só os vermelhos?". A Duffy (confeitos) diz que seu problema estava apenas na informação da embalagem, já modificada. A Riclan (gomas) explica que, dos quatro corantes de seu produto, três são artificiais - o outro é natural. A Ultrapan (bebidas) e a Kellog (cereal) informam que têm a aprovação dos órgãos fiscalizadores. O Estado procurou também a Ahmeyndukato (amendoim), a Barion (bala) e a Perfetti Van Melle (bala), mas não obteve resposta.

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