Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Professor universitário diz ter sido agredido por seguranças em hospital infantil

Alexandre Tadeu Fae Rosa, de 43 anos, afirma que esperava havia seis horas por atendimento no Hospital Infantil Sabará, em Higienópolis, quando entrou em um consultório para exigir atendimento e levou uma gravata; hospital nega

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

21 Abril 2015 | 18h57

O professor universitário Alexandre Tadeu Fae Rosa, de 43 anos, afirma ter sido agredido por quatro seguranças do Hospital Infantil Sabará, em Higienópolis, na região central de São Paulo. A ocorrência foi registrada no 18º DP, na Mooca, como lesão corporal. O conflito aconteceu na noite de sexta-feira, 17, após Rosa exigir que seu filho de 7 anos fosse atendido por um médico do pronto-socorro. O professor disse que aguardava atendimento havia seis horas, embora o hospital não confirme o tempo de espera. Ele avalia entrar na Justiça contra a instituição, os seguranças ou o médico. 

Ao Estado, Rosa contou que chegou no hospital com a mulher e o filho, que estava com 38,5ºC, por volta das 17h30. Eles estavam preocupados porque acreditavam que a criança estava com dengue. Ao chegar, o garoto passou pela triagem e foi medicado. Após seis horas, o menino voltou a ter febre e novamente foi para o pré-atendimento, onde recebeu medicação pela segunda vez. 

"Vimos muitos pais inconformados. Não éramos os únicos que estavam esperando. Teve uma hora que pensei: 'Isso está errado'. Peguei meu filho pela mão e fui em busca do médico", conta o professor, que ainda aguardava a senha ser chamada. Ao perceber a situação, os seguranças passaram a acompanhar o professor.

Segundo Rosa, no corredor do hospital, uma médica se recusou a atendê-lo. "Parei na porta de um consultório, esperei outro médico finalizar o atendimento de uma criança e, quando ele saiu para encaminhar a paciente à outra sala, nós entramos no consultório. Na volta, ele (médico) veio gritando, dizendo que não podia fazer nada por nós, que só poderíamos esperar e que ele era só peão no hospital", relata. 

O docente explicou que, neste momento, sacou o celular e começou a filmar o médico e perguntar se ele estava se recusando a atender seu filho. "O médico me deu um tapa na mão, derrubou meu celular e depois tentou quebrá-lo ao meio. Consegui tomar o celular dele", diz. No consultório, estariam Rosa, a mulher, o filho, o médico e quatro seguranças. O médico teria, então, pedido aos seguranças para retirarem o professor do local. "Me aplicaram uma gravata, me carregaram para fora do consultório e me desfaleceram no corredor do hospital. Fiquei sem ar", afirma. 

Os seguranças teriam levado o professor de volta ao pronto-socorro. Após a confusão, a mulher e o filho se retiraram do consultório. Segundo Rosa, o garoto recebeu atendimento somente à meia-noite e meia de sábado, 18, após ser chamada no painel a senha que a família havia retirado às 17h30. "Não entro mais naquele lugar. E não me arrependi do que disse. Quando o medico falou que não ia atender meu filho, perguntei se ele não tinha feito um juramento quando se formou. Ele esbravejou comigo e eu o xinguei de canalha", afirmou. 

Rosa nega ter se exaltado. "Estava na frente de uma mesa com computador, impressora, telefone. Podia ter me exaltado e quebrado tudo, até mesmo a cara dele (médico). Mas, pelo bem do meu próprio filho, não fiz isso. Eu e minha esposa somos professores. Pregamos a educação de gente do bem, sem violência. Se saio quebrando tudo por ali, estou indo contra o que ensino. É esse exemplo que quero dar para o meu filho?"

O que o hospital diz. Com base em imagens das câmeras de segurança e informações apuradas com testemunhas, o Hospital Infantil Sabará negou tanto que os seguranças tenha agredido Rosa quanto o desmaio relatado pelo professor. O hospital não soube informar se a espera pelo atendimento durou seis horas, mas deu outra versão sobre o ocorrido: "O pai do paciente, descontente com a espera, invadiu o consultório e agrediu o médico com palavras de baixo calão em um estado emocional visivelmente alterado". Segundo a nota, a responsável pelo atendimento do pronto-socorro solicitou que a segurança acompanhasse a discussão, já que Rosa se mostrava "agressivo". 

"Não intimidado pela presença do segurança, tentou agredir fisicamente o médico e neste momento foi necessário ser contido por quatro homens da equipe de segurança." A instituição informou que, de acordo com as imagens, o homem foi retirado do consultório enquanto tentava "dar socos sem que houvesse qualquer tipo de tentativa de agressão física por parte dos seguranças".  

Segundo a nota, o médico envolvido na confusão teve mal súbito e precisou interromper os atendimentos naquela noite. "O pediatra, vítima da agressão do cliente, por ter idade avançada, passou mal com problemas de pressão, precisou de atendimento de outro médico do hospital e se afastou do plantão na noite do dia 17 de abril."

O hospital informou que a equipe de segurança da entidade é "qualificada, treinada e orientada para agir sem uso de força excessiva, sem agressão física e sem uso de palavras de baixo calão". 

Sobre a demora nos atendimentos do pronto-socorro, a instituição atribui ao "período de pico" nos prontos-socorros em função da epidemia de dengue e da época de maior incidência de doenças respiratórias, que deve se estender até junho. Segundo a nota, casos emergenciais são atendidos em até 30 minutos. "Casos emergenciais são atendidos de forma imediata e urgentes - aqueles em que o paciente corre maiores riscos de piora - e têm recebido atendimento na metade do tempo preconizado, ou seja, são atendidos em 30 minutos em média (preconiza-se que seja em até 60 minutos)."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.