Professores da USP defendem liberação de substância encontrada na maconha

Grupo de Ribeirão Preto que estuda canabidiol desde os anos 70 afirma que há enorme potencial terapêutico. Anvisa estuda questão

Rene Moreira, Especial para o Estado

16 Julho 2014 | 21h48

FRANCA - Uma carta aberta redigida por professores de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto e divulgada nesta quarta-feira, 16, defende a liberação do canabidiol, substância encontrada na maconha. No documento, que foi encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o grupo afirma que o canabidiol possui grande potencial terapêutico neurológico.

A Anvisa analisa atualmente a possibilidade de liberação da substância no Brasil. Por enquanto, os medicamentos com canabidiol podem ser usados apenas com autorização especial e precisam ser importados. A liberação começou a ser debatida em maio e deve voltar a ser discutida no final deste mês.

Na carta, o grupo de pesquisa que estuda o canabidiol desde os anos 70 argumenta que durante esse período constatou sua importância. A substância, também chamada CBD, é natural e pode ser extraída da planta Cannabis sativa, a maconha. Segundo os especialistas, algumas companhias farmacêuticas já produzem extratos de cepas da planta ricas na substância e com altos níveis de pureza.

Eles contam que desde os primeiros estudos com o canabidiol, em humanos, sabe-se que ele não produz os efeitos psicoativos típicos da planta. 

Segundo o documento, a substância tem efeitos com enorme potencial terapêutico: antiepiléptico, ansiolítico, antipsicótico, neuroprotetor, anti-inflamatório e em distúrbios do sono, entre outros. "Em face dessas considerações, estamos certos que não se justifica a permanência do CBD na lista de medicações proscritas."

A carta é assinada pelos professores doutores Antonio Waldo Zuardi, José Alexandre de Souza Crippa, Jaime Eduado Cecílio Hallak e Francisco Silveira Guimarães, todos eles da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

Precedente. Em abril a Justiça brasileira autorizou pela primeira vez a importação de um medicamento com a substância. Apesar de proibida no Brasil, ela é legalizada nos Estados Unidos e foi autorizada para o tratamento de uma menina de 5 anos. Um juiz federal de Brasília se baseou nos pareceres dos professores da USP para autorizar o uso do remédio.

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