Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Teich visita hospital no Rio e é alvo de protesto de profissionais de saúde

Com faixas e cartazes, manifestantes cobram respiradores e leitos para todos os pacientes, além de respeito à quarentena e distribuição de verba para subsistência da população carente

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2020 | 11h40

RIO - Profissionais da área de saúde e representantes de entidades de defesa da saúde fizeram um protesto, neste sábado, 9, na porta do Hospital Federal de Bonsucesso, na zona norte do Rio. O ministro da Saúde, Nelson Teich, visitou o hospital e chegou por volta de meio-dia.

Com faixas e cartazes, nove pessoas cobravam respiradores e leitos para todos os pacientes, além de respeito à quarentena e distribuição de verba para subsistência da população carente. Alguns pediam o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Somos profissionais e usuários da rede pública de saúde, e queremos uma estrutura melhor", afirmou um dos manifestantes, que preferiu não se identificar.

Em seu segundo dia de compromissos no Rio, o ministro visitou o hospital, que pertence ao governo federal e foi alvo de uma polêmica judicial nos últimos dias. Após cerca de duas horas no local, Teich foi embora sem falar com a imprensa, que nem sequer conseguiu flagrar a entrada e a saída do ministro. Segundo a assessoria do hospital, Teich tinha um compromisso particular no Rio, para o qual já estava atrasado, e por isso não concedeu entrevista.

A assessoria informou que o hospital tem atualmente 56 leitos para vítimas de covid-19, sendo 16 de UTI, e está totalmente ocupado. Outros 20 leitos devem ser abertos neste sábado. Conforme forem contratados mais profissionais de saúde, os leitos devem ser ampliados até pelo menos 170 - houve uma proposta pra chegar a 240, mas não há garantia de implementação. Pacientes de outras doenças seguem sendo atendidos em outro prédio do hospital, completamente separados das vítimas de coronavírus.

No dia 30 de abril, a Justiça Federal no Rio determinou que o Ministério da Saúde substituísse a direção do hospital, acusada de omissão no enfrentamento da pandemia de covid-19. Na decisão, a juíza Carmen Silvia Lima de Arruda, da 15ª Vara Federal, considerou negligente a direção da unidade, apontada como hospital de referência para a pandemia. Segundo a magistrada, havia 30 leitos de UTI prontos e 14 respiradores parados no hospital.

A União recorreu e no dia 5 de maio a Justiça Federal revogou a decisão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.