Shawn Pogatchnik/AP
Shawn Pogatchnik/AP

Proibir viagens é 'irracional', diz Cruz Vermelha sobre Ebola

Declaração acontece em meio ao debate sobre eficiência da medida; Cuba envia 2º grupo de profissionais de saúde à África Ocidental

O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2014 | 08h57

PEQUIM - O fechamento das fronteiras não vai efetivamente reduzir as infecções por Ebola, disse nesta quarta-feira, 22, o secretário-geral da Federal Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha, Elhadj As Sy. A declaração acontece em meio ao debate sobre se a proibição de viagem aos países africanos mais atingidos ajudaria a combater a propagação do vírus mortal.

O atual surto da febre hemorrágica altamente contagiosa, que se acredita tenha origem em morcegos da floresta, é o pior já registrado, tendo matado mais de 4.500 pessoas, a maioria na Libéria, na Guiné e em Serra Leoa.

Os viajantes da região infectaram pessoas nos Estados Unidos, na Espanha e na Nigéria, o que levou alguns líderes, incluindo alguns congressistas norte-americanos, a pedirem a proibição de viagens à África Ocidental.

"Ele (Ebola) cria muito medo e pânico extremo que, por vezes, levam a tipos muito irracionais de comportamentos e medidas, como o fechamento das fronteiras, o cancelamento de voos, o isolamento de países etc", declarou Sy a repórteres em Pequim, onde a Cruz Vermelha, maior rede humanitária do mundo, está realizando um encontro.

"Isso não é solução. A única solução é como podemos unir nossos esforços para conter esse tipo de vírus e epidemias em seu epicentro, exatamente onde começaram", avaliou Sy.

O secretário-geral da Cruz Vermelha disse acreditar ser possível conter a doença em quatro a seis meses, se foram implementadas práticas adequadas, mas que um investimento adicional em infraestrutura de saúde na África Ocidental seria necessário para evitar futuros surtos.

Sy se junta líderes mundiais como o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, ao expressar oposição contra as restrições de viagem.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que até agora não recomendou restrições de viagem ou comerciais nos países da África Ocidental, alerta para a possibilidade de 5 mil a 10 mil novos casos de Ebola, no total, a cada semana até dezembro.

Especialistas em saúde alertam que as restrições excessivas sobre as viagens aéreas podem ter consequências econômicas graves que poderiam desestabilizar a região e, possivelmente, interromper os serviços essenciais humanitários e de saúde.

Cuba. O país latino-americano enviou uma segunda leva de profissionais de saúde à África Ocidental para ajudar a combater o vírus Ebola, informou nesta quarta-feira a imprensa local.

O grupo despediu-se na terça-feira, 21, à noite do presidente cubano, Raúl Castro, a quem os médicos disseram que não se preocupasse, pois estão "prontos" para o que vão encontrar, disse o Granma, jornal oficial do Partido Comunista.

Os 83 profissionais de saúde serão divididos entre Libéria (49) e Guiné (34), e vão se juntar a outros 165 médicos e enfermeiros cubanos que trabalham há algumas semanas em Serra Leoa.

O novo grupo é formado por 35 médicos e 48 enfermeiros, todos com mais de 15 anos de experiência profissional.

O anúncio do envio de mais médicos foi feito depois de uma reunião de países aliados na América Latina, entre eles Cuba e Venezuela, em que foi aprovado, na segunda-feira, 20, um plano de ação para impedir a propagação do Ebola e ajudar os países africanos a enfrentarem a doença.

Atualmente, mais de 50 mil profissionais cubanos da área de saúde trabalham em 66 países, incluindo o Brasil, segundo autoridades da ilha./REUTERS

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