Leo Souza/Estadão
Leo Souza/Estadão

Projeto de vacinação em massa de Botucatu aplicará segunda dose em 8 de agosto

Serão vacinadas na data as 67 mil pessoas que receberam a primeira dose em 16 de maio. Imunização faz parte de um estudo para avaliar a eficácia da vacina da AstraZeneca

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2021 | 15h00

SOROCABA – Os moradores de Botucatu, no interior de São Paulo, voltarão aos postos de votação eleitoral no dia 8 de agosto, um domingo, para receber a segunda dose da vacina Oxford/Astrazeneca. A vacinação em massa faz parte de um estudo para avaliar a eficácia da vacina quanto aplicada em massa na população e sua efetividade contra as variantes do coronavírus.

No dia 8, serão vacinadas as 67 mil pessoas que receberam a primeira dose em 16 de maio. No domingo seguinte, dia 14 de agosto, completam a imunização cerca de 7 mil moradores vacinados em 22 de maio.

Conforme a prefeitura, para a aplicação da segunda dose, o município voltará a contar com o apoio da Justiça Eleitoral. Com isso, os moradores devem comparecer aos postos de votação em que receberam a dose inicial – são os mesmos em que estão cadastrados como eleitores.

“É como se fosse o segundo turno de uma eleição”, comparou o secretário municipal de Saúde, André Spadaro. Quem não tem cadastro eleitoral em Botucatu, mas possui comprovante de endereço na cidade, deve ser vacinado em quatro postos avulsos, instalados em escolas.

A esteticista Carla Brando, de 46 anos, que recebeu a primeira dose na Escola Cardoso de Almeida, no centro, não vê a hora de completar a imunização. “Em casa, meus pais e minha tia já estão vacinados e ninguém pegou covid, graças a Deus. Estou ansiosa para receber a segunda picadinha, não só eu, mas também o Tiago, meu filho, que participa do estudo comigo.” Ela disse que a queda nos casos “é uma bênção, mas devemos continuar nos cuidando”.

Devido à vacinação em massa, Botucatu lidera o ranking de vacinação no estado, com 122.609 dos 148.130 moradores imunizados, índice de 82,8%, segundo o Vacinômetro estadual. O número inclui pessoas com mais de 60 anos que ficaram fora do estudo e seguiram o cronograma do Plano Nacional de Imunizações (PNI). As vacinas para a segunda etapa, produzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), serão fornecidas pelo Ministério da Saúde.

Casos estão em queda

A média diária de casos de covid-19 caiu de 92, na semana de 16 a 22 de maio, quando houve a aplicação da primeira dose, para 19 casos diários na semana de 4 a 10 de julho, segundo dados da Secretaria de Saúde de Botucatu. A redução de 80% nos casos levou também a uma queda de 60% no número de pessoas internadas com a doença, que passou de 97 para 39 no mesmo período. A média de mortes baixou de 6 para 4 registros diários.

O secretário André Spadaro disse que os números confirmam as expectativas quanto à eficácia da vacina. “Temos primeiro uma redução na transmissão que, por consequência, leva à redução dos casos de internação e, ainda, a um percentual menor de pessoas que precisam ser intubadas e ir para a UTI”, disse. Mesmo as pessoas que internam, segundo ele, apresentam quadro mais leves que podem ser resolvidos na enfermaria, reduzindo a mortalidade.

Apesar dos números animadores e de se aproximar a data da segunda dose, a população não deve relaxar. “Precisamos continuar usando máscara, higienizando as mãos frequentemente e evitando aglomerações. A vacina reduz muito as chances de desenvolver a doença e desafoga o sistema de saúde, mas relaxar agora, mesmo com a vacina, significa aumentar as chances de contaminação”, disse.

O infectologista Carlos Magno Fortaleza, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do estudo, disse que há uma queda quando se comparam os dados de Botucatu com os do Estado. “Como pesquisador, continuo esperando a comparação dos dados individuais entre moradores de Botucatu e de outros municípios para ter uma posição mais robusta, Estamos qualificando os dados dos municípios vizinhos e aguardando algumas informações, mas teremos isso calculado até o fim do mês”, disse.

O projeto de estudo da vacina Astrazeneca envolve ainda parcerias com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, Universidade de Oxford e Fundação Gates. A vacinação em massa da população adulta já foi realizada também em Serrana, com a vacina Coronavac, e em Paquetá, no Rio de Janeiro.

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