Proliferação de ratos preocupa saúde pública do Paraná

Este ano, já foram registrados no Estado três casos da doença hantavirose, transmitida pelos animais

Evandro Fadel, da Agência Estado,

07 Outubro 2010 | 15h29

Técnicos da Secretaria da Saúde do Paraná estão em alerta em razão do aparecimento exacerbado de ratos silvestres, um fenômeno conhecido como ratada, nos municípios de Campinha Grande do Sul, Quatro Barras e Piraquara, todos na região metropolitana de Curitiba. A maior preocupação é pelo fato de esses ratos transmitirem a hantavirose, uma doença que pode ser fatal.

 

Este ano, já foram registrados no Estado três casos da doença - duas em Bituruna, sul do Estado, e uma em Cantagalo, no sudoeste - que resultaram em uma morte. As ratadas podem durar até dois anos, dependendo da oferta de alimentos. A última registrada no Estado foi entre os anos de 2005 e 2006, quando foram notificados 68 casos da doença, que provocaram 21 mortes nas regiões de Guarapuava, Pato Branco, Cascavel, Irati e União da Vitória.

 

De acordo com a bióloga e técnica da Divisão de Zoonoses da Secretaria da Saúde, Gisélia Rubio, a de agora ocorreu em razão de um fenômeno natural conhecido como "seca da taquara", quando os bambus soltam sementes, que são alimento para os ratos.

 

Segundo ela, a descoberta da ratada nos municípios da região metropolitana de Curitiba veio em razão de denúncias de moradores, que começaram a ver muitos ratos durante o dia. Normalmente, eles têm atividades noturnas, mas, com oferta de alimento, saem a qualquer hora.

 

Equipes da secretaria estão capturando alguns animais para verificar se eles estão infectados com o hantavírus. "Estamos alertando a população e quem for para essas regiões para que saibam o que está acontecendo", disse Gisélia. A hantavirose pode ser contraída no contato com as fezes, urina ou saliva dos ratos, sobretudo em locais fechados. O vírus espalha-se pelo ar e entra no corpo humano pela respiração. Mas a doença também pode ser transmitida pela mordida do rato.

 

Como eles também morrem pela doença, há recomendação para que não se toque, mas que se avise a vigilância sanitária e se enterre, caso se encontrem animais mortos. Os sintomas iniciais da hantavirose são parecidos com os da gripe: febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, tosse seca e, sobretudo, forte dificuldade respiratória.

 

 "Deve-se buscar o mais rapidamente possível o posto de saúde e mencionar se é agricultor ou esteve nesses municípios", recomendou a bióloga. Segundo ela, o uso de raticidas não é recomendável, pois são prejudiciais à saúde.

 

O mais recomendado são as alternativas mecânicas, como manter os ambientes fechados e os arredores limpos, evitar contato direto com os ratos, armazenar alimentos de forma adequada e vedar frestas.

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