Propagação de bactérias resistentes a antibióticos preocupa Reino Unido

Origem de 'supergerme' está relacionada com cirurgias na Índia e Paquistão

Associated Press

11 de agosto de 2010 | 11h02

LONDRES - Cientistas britânicos descobriram que uma bactéria resistente à maioria dos antibióticos advertiram na quarta-feira, 10, que o germe, comum na Índia, poderia se espalhar rapidamente pelo mundo.

 

O supergerme foi identificado em 37 pessoas que voltaram à Grã-Bretanha após intervenções cirúrgicas na Índia ou do Paquistão.

 

Em um artigo publicado nesta quarta-feira na edição online da revista The Lancet Infectious Diseases, os médicos relataram a descoberta de um novo gene denominado NDM-1. O gene altera as bactérias e as torna resistentes aos antibióticos mais conhecidos.

 

Foi verificada principalmente na bactéria E. coli, a causa mais comum de infecções do trato urinário, e em estruturas de DNA facilmente reproduzíveis e transferíveis a outras bactérias.

O supergerme aparentemente era comum na Índia, onde o sistema de saúde tem menos possibilidades para identificar sua presença ou possuir os antibióticos adequados para o tratamento, disseram pesquisadores.

 

"O NDM-1 tem um grande potencial para se tornar um problema global de saúde pública e, portanto, exige uma fiscalização coordenada internacional", escreveram os autores do artigo. O gene resistente foi detectada na Austrália, Canadá, Holanda, Suécia e Estados Unidos. Uma vez que muitos norte-americanos e europeus vão à Índia e ao Paquistão para se submeter à cirurgia plástica e outros tratamentos eletivos, é provável que a superbactéria tenha se espalhado pelo mundo, disseram os pesquisadores.

 

"A disseminação destas bactérias multirresistentes merece um acompanhamento muito próximo", escreveu Johann Pitout, um microbiologista da Universidade de Calgary, no Canadá, em um comentário que acompanha o trabalho.

 

Pitout pediu para acompanhar de perto estas bactérias, em todo em países que promovem ativamente o turismo médico. "Haverá sérias consequências se os médicos de família sejam forçados a tratar diariamente infecções causadas por bactérias multirresistentes".

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