Erasmo Salomão / Ministério da Saúde
Erasmo Salomão / Ministério da Saúde

Proteção contra a gripe repete medidas anticovid: vacina, máscara, higiene e distanciamento

País tem visto novos surtos de influenza que já chegam a diferentes Estados. Especialistas destacam a importância de realização de testes para o correto diagnóstico dos sintomas

Jessica Brasil Skroch, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2021 | 16h39
Atualizado 21 de dezembro de 2021 | 09h14

Os novos surtos de gripe registrados nas últimas semanas acenderam o alerta sobre a necessidade de adoção de medidas de prevenção para evitar a disseminação da doença. Os casos aumentaram no Rio, mas também já chegaram a São Paulo e devem chegar a outros Estados, segundo perspectiva da Fiocruz. Os cuidados, apontam os especialistas, são os mesmos recomendados para controle da covid-19

A vacinação contra a gripe também desempenha um importante papel na contenção do avanço da doença, apesar das indicações de que a cepa atual vem conseguindo se propagar. O uso de medidas não farmacológicas também se faz necessário. O médico epidemiologista Márcio Bittencourt e a infectologista da Unicamp Raquel Stucchi elencam os cuidados contra a gripe: 

  • Uso adequado de máscaras bem ajustadas ao rosto e com alto poder de filtração, como as proteções PFF2;
  • Manutenção do distanciamento social;
  • Evitar aglomerações em locais fechados;
  • Privilegiar e incentivar a ventilação natural em ambientes fechados;
  • Adequada higiene das mãos;
  • Vacinação contra a influenza.

A infectologista alerta que os sintomas da gripe e da covid-19 podem ser muito parecidos e confundidos, ainda que, na gripe, é possível ter sintomas até mais intensos, como febre alta, calafrios, muita dor no corpo e um mal-estar forte que impede a pessoa de continuar com suas atividades rotineiras. 

A recomendação, diz Bittencourt, é a de que toda a suspeita da covid-19 seja testada, assim como as suspeitas mais graves da influenza. Ambos os especialistas apontam que os exames são importantes do ponto de vista epidemiológico, assim como para o próprio paciente. O médico, ao saber com qual vírus a pessoa foi infectada, poderá indicar as orientações ou o tratamento adequado, como com o antiviral, no caso da gripe. 

Bittencourt destaca que, no caso de aparecimento de sintomas, é preciso procurar atendimento médico e se isolar de outras pessoas, a fim de evitar a transmissão de qualquer vírus. Caso ocorra infecção por algum dos vírus, o tempo de isolamento necessário para evitar a contaminação de outras pessoas é diferente para cada doença: para a covid-19 é de 10 dias e para a gripe é de 14 dias, informa Raquel. 

Além disso, a infectologista atenta para que pessoas com quaisquer sintomas não compareçam às reuniões de fim ano, a fim de evitar se tornarem um veículo de transmissão da influenza ou da covid-19. 

Baixa cobertura vacinal e flexibilização de medidas de proteção explicam surto de gripe

O surto de gripe nesse momento é explicado por dois motivos principais, coloca Raquel. O primeiro é a baixa cobertura vacinal contra a doença neste ano, e o segundo é a flexibilização das medidas de proteção: "A circulação do vírus da gripe  sem proteção pela vacinação facilitou a transmissão, levando ao aumento do número de casos", analisa. 

Raquel também destaca que a variante H3N2 da influenza, que está circulando no Brasil hoje, não faz parte da vacina disponível para 2021. A especialista recomenda que as pessoas se vacinem contra a influenza também no próximo ano, quando a proteção contra essa variante será incluída. 

Ela ressalta que completar o esquema vacinal contra a covid-19 permanece extremamente relevante, especialmente nesse momento em que circula a variante Ômicron. 

"Ao que parece, nós estamos num momento de controle da pandemia da covid-19, mas temos a variante Ômicron chegando e não sabemos ainda qual será a repercussão dela entre nós", afirma a especialista. 

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