Proteína é fundamental para a prevenção do esquecimento, indica estudo

Segundo pesquisadora, relação entre a IGF-2 e processos da memória era desconhecida

Efe

26 Janeiro 2011 | 23h09

MADRI - Um estudo internacional desenvolvido na Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, demonstrou em cobaias animais que a proteína IGF-2 é fundamental nos processos de consolidação da memória e de prevenção do esquecimento.

Uma das responsáveis pela pesquisa, publicada na revista Nature, Ana García-Osta, do Centro de Pesquisa Médica Aplicada da Universidade de Navarra, explicou à Agência Efe nesta quarta-feira, 26, que até agora se desconhecia a relação direta entre a proteína e os processos da memória.

De acordo com ela, sabia-se da existência da IGF-2 e também que, apesar de seus baixos níveis de concentração no hipocampo cerebral, ela poderia ter um papel na sobrevivência neuronal.

Os ratos que, durante o experimento, tiveram bloqueada a manifestação do gene que codifica a proteína não puderam armazenar novas lembranças, enquanto aqueles que receberam a molécula não esqueceram o que foi aprendido.

A IGF-2 são as iniciais em inglês do fator de crescimento com estrutura similar à insulina tipo II. O estudo comprovou que é crucial o momento em que a proteína é fornecida, pois deve coincidir com a fase em que são produzidos os mecanismos moleculares relacionados à fixação das lembranças. Ou seja, a incorporação da molécula no hipocampo deve ser produzida em um prazo de tempo próximo ao período de aprendizagem.

Outra conclusão é que os roedores continuam se lembrando dos novos conhecimentos adquiridos até três semanas depois de terem recebido a proteína, algo não observado nos animais que tomaram placebo.

A pesquisadora espanhola lembrou que são várias as proteínas associadas à memória, que funcionam em forma de cascata na hora de desencadear os processos para consolidar uma memória de curto prazo. A IGF-2 é uma das identificadas até o momento.

Após os promissórios resultados do estudo, essa molécula desponta como alvo para novos tratamentos que melhorem a função cognitiva, e especialistas já fazem testes com animais que sofrem do mal de Alzheimer.

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