Próteses francesas de mama devem ser retiradas, diz sociedade internacional

No Brasil, Anvisa mantém orientação de que mulheres devem procurar seus médicos para avaliação

Alexandre Gonçalves e Fernanda Bassette,

04 de janeiro de 2012 | 08h06

 A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, em inglês) recomendou em nota que os implantes mamários de silicone da empresa francesa Poly Implant Prothèse (PIP) sejam trocados imediatamente para evitar riscos futuros à saúde, mesmo que não haja sinal de ruptura.

 

No mês passado, o governo francês afirmou que pagaria os custos da remoção dos implantes da PIP em todas as mulheres do país que os utilizam. A decisão se baseou em dados que apontam um risco maior de rompimento do produto.

 

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), José Horácio Aboudib, discorda da decisão da Isaps. “Não é sensato. Todas as mulheres devem procurar seus médicos para saber se há ruptura e, nesse caso, efetuar a remoção e a troca”, afirma. “Caso a prótese esteja em bom estado, basta realizar exames periódicos para garantir que ela não se rompeu.”

 

Aboudib aponta que o gel da prótese pode ser de tipo não aprovado para uso médico -, mas o revestimento é constituído por substância segura, similar à de outros implantes, o que diminui o risco de problemas.

Planejamento. O presidente eleito da Isaps, Carlos Uebel, diz que não é necessária uma “correria” para a retirada. “De qualquer forma, as mulheres devem trocar a prótese no prazo mais breve possível”, afirma ele, cirurgião em Porto Alegre. “Não há motivo para pânico, mas convém programar a substituição.”

 

Ele sublinha que os dados obtidos até agora não confirmam a relação com o câncer. “Mesmo assim, o porcentual de rupturas das próteses PIP é muito alto”, pondera. Segundo a nota da Isaps, “a taxa de ruptura desses implantes parece ser cinco vezes mais alta quando comparada com a de outros implantes”.

 

O mastologista José Luiz Pedrini, vice-presidente nacional da Sociedade Brasileira de Mastologia, diz que a entidade não chegou am consenso sobre o assunto - que será discutido em reunião com o governo brasileiro na próxima semana. Entretanto, ele diz que indicaria pessoalmente a retirada dessas próteses para evitar riscos futuros à saúde. “É muito mais barato o custo de trocar essa prótese agora que o de um tratamento para câncer ou outra infecção que esse silicone industrial pode causar”, diz.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que mantém a mesma orientação: mulheres com essas próteses devem procurar seus médicos para uma avaliação.

O Ministério da Saúde também mantém essa orientação e diz que avaliará caso a caso. E informou que a posição sobre o assunto será discutida na próxima semana, quando representantes das sociedades médicas de mastologia e de cirurgia plástica se reunirão com o ministério e com a Anvisa para debater um protocolo que definirá a maneira de agir em caso de rompimento dessas próteses.

 

Procurado pelo Estado, John Arnstein, da EMI Importação e Representação, empresa responsável pela distribuição do produto no Brasil, disse que preferia não comentar a declaração da Isaps, pois não tinha tomado conhecimento oficial da nota.

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