Chezbeate/Pixabay
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Protetores solares bons para a pele e para a natureza

Fique atento aos ingredientes: produtos com oxibenzona e octinoxato já foram banidos de diversos destinos por matarem recifes de coral

Natalie B. Compton, The Washington Post

18 de junho de 2022 | 05h00

Para os clientes que fazem uma expedição de mergulho na ilha de Maui, no Havaí, a PacWhale Eco-Adventures coloca sugestões sobre o que levar em seu site. Entre as essenciais, há chapéus, óculos escuros, câmeras e toalhas – mas não há menção ao protetor solar. O Havaí proíbe alguns tipos de protetores, então a empresa detalha uma política que é mais sobre o que não levar: “Apoiamos a proibição de protetores solares contendo oxibenzona e octinoxato”.

O Havaí foi o primeiro estado dos Estados Unidos a promulgar tal legislação, mas não é o único destino turístico a fazê-lo. Key West, Aruba, Palau, Bonaire e os parques nacionais da Tailândia são alguns dos lugares que tomaram medidas, já que pesquisas mostraram que produtos que contêm oxibenzona e octinoxato podem sair da pele e danificar os recifes de coral.

De acordo com o National Park Service, a cada ano cerca de 4 mil a 6 mil toneladas de protetor solar entram nas áreas de recife dos EUA. Ainda há muitos protetores solares para manter sua pele segura (e a água mais limpa) durante as férias. Veja as dicas.

Nem todas as opções “seguras” são verdadeiras

Mais protetores solares “seguros para os recifes” estão chegando ao mercado, mas essa descrição não é um selo de aprovação. “Protetor solar ‘seguro para os recifes’ é em grande parte um termo de marketing”, diz David Andrews, cientista sênior do Environmental Working Group, instituição sem fins lucrativos.

Ao comprar, é importante verificar os ingredientes. A PacWhale Eco-Adventures recomenda certificar-se de que o protetor solar não seja à base de nanopartículas de óxido de zinco e que não contenha os seguintes ingredientes preocupantes: oxibenzona, octinoxato, homosalato, octissalato, octocrileno e metoxinamato de etilexila.

Se você está preocupado que os protetores “seguros para os recifes” não sejam eficazes, fique tranquilo; há bons por aí. “Você não está decidindo entre sua pele e os recifes de coral”, diz Kenneth Howe, professor clínico associado do Hospital Mount Sinai e dermatologista da UnionDerm. 

Procure protetores minerais (não químicos)

Existem dois tipos de protetor solar: químico e mineral. Os protetores solares químicos absorvem a luz UVA e UVB, enquanto os minerais os bloqueiam fisicamente com ingredientes ativos como óxido de zinco ou dióxido de titânio.

Embora você possa encontrar protetores solares químicos que não tenham esses ingredientes ambientalmente preocupantes, os especialistas recomendam escolher um protetor solar mineral. “Há evidências conflitantes, mas as melhores informações disponíveis indicam que alguns dos produtos minerais, como o óxido de zinco, parecem ser os menos prejudiciais aos recifes de coral”, diz Andrews.

Craig Downs, diretor executivo do Laboratório Ambiental Haereticus (HEL), sem fins lucrativos, e coautor de estudos sobre o impacto do protetor solar nos recifes, diz que as opções minerais são o caminho a seguir, pois seus principais ingredientes (óxido de zinco e dióxido de titânio) são os únicos ingredientes protetores solares aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos EUA.

“E existem alguns produtos de proteção solar minerais muito bons por aí que você aplica como uma loção branca, mas quando você a esfrega, o branco desaparece e fica translúcido”, diz Downs. “O que é realmente fantástico é que você pode ver que parte da pele está sendo protegida quando a aplica.”

Aprovados por dermatologistas

Quando os clientes de Howe querem uma recomendação de protetor, ele diz: “Eu realmente amo a marca Elta MD”. Howe conta que os protetores Elta MD oferecem forte proteção UV e também são agradáveis de aplicar.

Hamza Bhatti, dermatologista do Schweiger Dermatology Group, especializado em câncer de pele, também recomenda o Elta MD – especialmente para aqueles com pele sensível ou propensa a acne. “Tem um pouco de niacinamida, que é um antioxidante que ajuda a prevenir qualquer tipo de irrupção”, ele diz.

Para uma alternativa mais barata, existe o Sensitive Skin da Neutrogena, que Howe usa. Sua esposa, que surfa, adiciona uma camada extra de proteção usando um protetor solar em bastão (ela é fã do Clear Sunscreen Stick da Shiseido).

Abandone os sprays

Downs diz que o HEL não recomenda latas de aerossol ou spray porque elas não garantem uma aplicação uniforme ou suficiente, especialmente no ambiente externo. “O vento pode levar até 90% do produto para o ambiente ao redor”, ele diz. “E esse spray pode viajar pelo menos 400 metros de distância.” Se não está entrando em sua pele, está entrando em seu entorno. “Esta é uma fonte de contaminação ambiental.”

Há também a preocupação de inalar o produto. “Isso é preocupante, especialmente quando descobriram que alguns produtos liberavam partículas que poderiam ser inaladas profundamente para os pulmões.”

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