Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

‘Provedor está tentando jogar a culpa em mim’, diz ex-superintendente da Santa Casa

Ele critica medidas tomadas por Kalil Rocha Abdalla e diz que ele deveria deixar cargo

Entrevista com

Antonio Carlos Forte

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2014 | 03h00

Superintendente da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo por 24 anos, Antonio Carlos Forte, de 68, deixou o cargo em setembro, em meio à crise financeira da instituição, e foi apontado pelo provedor, Kalil Rocha Abdalla, em entrevista ao Estado, como o responsável por supostas falhas na gestão. Forte desmente Abdalla e afirma que o provedor participava de todas as decisões da entidade. Diz ainda que Abdalla fez uma “bobagem” ao fechar o pronto-socorro em julho e, agora, tenta usar o ex-superintendente como bode expiatório.

O provedor tinha acesso aos detalhes dos contratos? Ele participava das decisões?

Eu despachava com ele todos os dias e levava todas essas coisas importantes. Não tinha nada que ele não soubesse. Eu trabalhei com cinco provedores e nunca tive problema. O provedor é o responsável legal da Santa Casa. Eu era um delegado do provedor. Ele que assinava todos os contratos externos à Santa Casa.

Eram detalhados os custos? Ele tinha acesso a isso?

Ele tinha na negociação.

Ele participava da negociação?

Algumas, participava. Na lavanderia, ele participou das negociações, era um grupo estrangeiro inclusive, ele sentava na mesa com os dirigentes da empresa. O contrato da Vivante (limpeza), a mesma coisa, ele participou como assessor jurídico. Ele acumula cargos, então ele tem de saber das coisas. Ele é provedor, procurador jurídico e mordomo do patrimônio imobiliário. Tem de saber porque, quando vou fazer os contratos grandes, tem de passar pelo jurídico. 

Como o senhor viu a declaração dele ao 'Estado' de que não sabia detalhes dos contratos?

Um absurdo. Ele está numa situação muito ruim na Santa Casa. Ele fez uma burrice, uma besteira catastrófica, porque quis aparecer ao fechar o pronto-socorro. E uma grande parte da Mesa Administrativa quer que ele saia. Então, agora, ele está tentando jogar a culpa em cima de mim.

O fechamento do PS era realmente necessário?

Lógico que não. Ele fechou o pronto-socorro para fazer uma chantagem com a Secretaria (Estadual da Saúde). No dia anterior, ele teve uma reunião com os membros da Provedoria e não falou nada. No dia seguinte, fechou o pronto-socorro.

O senhor estava de férias?

Sim, estava fora do Brasil. Se eu estivesse lá, ele não fechava. Se aproveitou da situação.

O que causou o aumento do endividamento da Santa Casa nos últimos anos? A Secretaria da Saúde diz que a entidade recebia mais do que produzia.

Recebia mais, assim como todos os hospitais recebem mais do que produzem porque, além da tabela do (Sistema Único de Saúde) SUS, a Santa Casa tem outras verbas, outros custos. As organizações sociais estavam dando prejuízo. O problema do SUS vem se agravando. A Santa Casa não é um hospital no Brasil que está mal, a saúde está muito mal.

Então não acha que houve problemas de gestão?

Tenho certeza que não. Não teve irregularidade nenhuma em contrato. Todos os contratos eram extremamente vantajosos para a Santa Casa. 

O senhor acha que o provedor deveria sair?

Sim, porque ele perdeu o controle da Santa Casa.

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