Prozac é promissor na recuperação de AVC, aponta estudo francês

Antidepressivo pode ajudar pacientes a terem um maior controle sobre seus movimentos

10 Janeiro 2011 | 22h34

LONDRES - Em artigo publicado na revista médica The Lancet Neurology, cientistas franceses revelaram nesta segunda-feira, 10, que administrar o antidepressivo Prozac em pessoas que acabaram de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) pode ajudá-las a ter mais controle sobre seus movimentos e a viver de forma mais independente.

No maior estudo até agora sobre o efeito desse tipo de medicamento na recuperação de um AVC - feito entre março de 2005 e junho de 2009 com 118 pacientes -, pesquisadores descobriram que os voluntários tratados com Prozac tiveram melhor desempenho em exames de habilidades motoras do que aqueles que receberam placebo.

Os pacientes ingeriram a droga ou placebo durante três meses, após cinco ou dez dias do AVC. Todos os participantes foram submetidos a sessões de fisioterapia e tiveram suas habilidades motoras avaliadas no início do levantamento e no 90º dia. Os que tomaram Prozac tiveram uma nota média de 34 pontos, enquanto o grupo do placebo obteve 24,3 pontos.

Além disso, houve casos de indivíduos mais independentes e com menos depressão no grupo que recebeu Prozac. Os efeitos colaterais da medicação foram raros e sem gravidade, segundo os pesquisadores.

De acordo com especialistas que comentaram os resultados, eles têm "um enorme potencial para mudar a prática clínica", e se questionaram se a maioria dos pacientes com problemas motores não deveria ser tratada com esse antidepressivo, relativamente barato.

O AVC é a principal causa de incapacidade em adultos e a terceira causa de morte nos países desenvolvidos. O custo de cuidar das vítimas, que muitas vezes adquirem problemas como paralisia ou fraqueza em um lado do corpo, envolve um grande fardo para os sistemas de saúde já bastante problemáticos.

Alguns estudos menores realizados anteriormente já haviam sugerido que administrar remédios como o Prozac, que pertence a uma classe chamada de inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS, na sigla em inglês), pode melhorar a recuperação de habilidades motoras após um AVC.

O Prozac foi desenvolvido pela indústria farmacêutica Eli Lilly e atualmente há uma versão genérica disponível, a fluoxetina. A hemiplegia (paralisia de toda uma metade do corpo) e a hemiparesia (paralisia parcial de um dos lados) são as discapacidades mais comuns em pessoas que sofreram um AVC, e os cientistas acreditam que os ISRS podem ajudar a melhorar os movimentos aumentando o nível do neurotransmissor serotonina no sistema nervoso central.

"O efeito positivo do medicamento sobre a função motora sugere que a ação neuronal dos ISRS fornece um novo caminho que poderia ser mais explorado", disse François Chollet, do Hospital Universitário de Toulouse, que dirigiu a pesquisa.

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