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Qual é a fórmula de uma vacina da covid contra novas variantes?

Ainda em fase de teste, imunizante desenvolvido por cientistas mostrou ser capaz de bloquear a entrada do vírus original e de novas variantes

Fernando Reinach, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2022 | 05h00

Apesar de negacionistas como Bolsonaro não acreditarem, as vacinas contra covid funcionam e salvaram milhões de vidas. O problema é que novas variantes têm aparecido. Elas desviam da resposta imune induzida pelas vacinas atuais, que já não impedem que sejamos infectados múltiplas vezes, mas ainda evitam casos graves, reduzindo drasticamente a mortalidade.

A mudança do vírus provoca uma corrida armamentista: de um lado, os cientistas correm para fazer vacinas contra as novas variantes; do outro, o vírus evolui e escapa. A grande esperança é conseguirmos fazer vacinas que sejam eficazes contra as cepas atuais e futuras. É atrás disso que os cientistas têm corrido.

As melhores vacinas usam a ponta da espícula, aquelas lancinhas na superfície do vírus, para induzir a resposta imune. O problema é que o vírus tem acumulado mutações exatamente nessa região, e essa é a causa da queda de eficácia das vacinas atuais. Como as novas variantes têm essa região alterada, parte da nossa resposta imune fica inútil.

A novidade é que os cientistas resolveram estudar a resposta do sistema imune quando estimulado por outras partes da espícula. E descobriram fragmentos do vírus que se conservam de uma cepa para outra, capazes de induzir uma poderosa resposta imune.

Os estudos foram feitos em camundongos e terão de ser validados em seres humanos. Cada espícula do vírus é composta por três proteínas idênticas, chamadas de proteína S e tem a forma de um picolé. Uma haste (o palito) fixa a espícula ao corpo do vírus e a parte alongada e grossa (o sorvete propriamente dito) se liga à célula humana, permitindo sua entrada. A haste é chamada de S2 e a parte maior se S1.

Os cientistas construíram uma vacina composta somente da parte S2 e estudaram sua eficácia. Eles descobriram que essa vacina produz uma forte resposta imune que bloqueia a entrada tanto do vírus original quanto das novas variantes. Além disso, ela protege contra os outros coronavírus que causam resfriados.

O interessante é que essa vacina também fortifica a resposta imune em animais que já foram vacinados com a vacina original. O próximo passo é testar essa vacina em seres humanos e comprovar que ela protege contra as diferentes cepas. Se isso acontecer, como a região S2 não muda muito de cepa para cepa, talvez seja possível obter uma vacina capaz de nos proteger contra as cepas futuras. 

Mais informações: SARS-CoV-2 S2–targeted vaccination elicits broadly neutralizing antibodies. Sci. Transl. Med. 14, eabn3715 2022  

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