Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Amplia leito e diminui hoje, mas amanhã aumenta de novo, diz responsável por controle de vagas em SP

'Velocidade de regulação, que antes era 50 km/h, agora está 180 km/h. Essa variante nova é muito transmissível, o pessoal rapidamente adoece', diz gerente médico da coordenação de transferências do governo paulista

Entrevista com

Domingos Guilherme Napoli, gerente médico da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross)

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 05h00

Com aumentos de casos e óbitos e sucessivos recordes de internação, o Estado de São Paulo tem 89,9% de lotação das UTIs em meio ao pior momento da pandemia do novo coronavírus. Nesta semana, o governo João Doria (PSDB) colocou todos os municípios na "fase emergencial", de maiores restrições, para tentar frear o agravamento da transmissão da covid-19.

Com parte dos hospitais do interior e da região metropolitana lotados, a fila de espera por leitos, especialmente de UTI, está maior e mais demorada. Um levantamento do Estadão apontou que ao menos 88 pacientes da covid-19 morreram na espera por leito este mês, em 24 municípios.

Os pedidos de transferência de vagas dentro do SUS passam pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), da Secretaria da Saúde, que tem enfrentado um grande aumento de demanda neste mês. Em entrevista ao EstadãoDomingos Guilherme Napoli, gerente médico da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), da Secretaria da Saúde, diz que o volume de pedidos está cada vez maior e tende a aumentar ainda mais. 

O crescimento demanda fez o setor de regulação de vagas reforçar a equipe, com aumento do número de médicos de 22 para cerca de 50. Outro ponto que tem preocupado é o maior tempo de permanência dos pacientes na internação. "Ontem (segunda-feira, 15), foram 2,2 mil atendidos que passaram pela regulação (o que inclui demandas não covid). Na primeira onda, era menos da metade", afirma Napoli ao Estadão.

Leia trechos da entrevista:

O que é a Cross?

É uma central de regulação que trabalha com solicitação de transferência de pacientes e com possibilidade de vaga. Ela não cria vagas. Todo caso é avaliado (por um médico) segundo o grau de urgência (que, depois, submete a um sistema, onde faz uma busca por vagas nos municípios vizinhos). Passado algum tempo, vão chegando outros casos. O que não regulou vai ficando pendente, é revisado, reposicionado e assim por diante. Ontem (segunda-feira, 15), foram 2,2 mil atendidos que passaram pela regulação (o que inclui demandas não covid). Na primeira onda, era menos da metade. 

Somente o Estado controla?

Esse sistema nós cedemos para cidades grandes, como Sorocaba, Ribeirão Preto, Guarulhos, a cidade de São Paulo. Essas centrais municipais regulam a demanda dentro do município. Quando não conseguem, aí pedem para nós (para transferir para outra cidade)

A demanda mudou nas últimas semanas?

A velocidade de regulação que antes era 50 km/h, agora está 180 km/h. Essa variante nova é muito transmissível, o pessoal rapidamente adoece. E essas pessoas, quando alocadas, seja na enfermaria, seja na UTI, utilizam aquele leito por mais tempo. Um leito que receberia 4 ou 5 pacientes no mês, agora fica ocupado por dois pacientes, 15 dias para cada um. Duplicou o número de casos. Até o fim de semana, pelos cálculos aqui, vai triplicar em relação a fevereiro. 

Quantas solicitações a central tem recebido para covid-19?

Hoje (terça-feira) tenho cerca de 2 mil casos no Estado inteiro aguardando resposta (entre emergência, urgência e outras demandas). 

Como diminuir esse número de solicitações?

Se você diminui o contágio. Para diminuir o contágio, é lockdown. Onde foi feito isso e estava crítico até um tempo atrás foi, por exemplo, Araraquara. 

E quando tem ampliação de leito?

Quando tem ampliação de leito, diminui hoje, mas amanhã começa a aumentar de novo (pela alta transmissão da doença nesta segunda onda e o tempo maior de internação).

O que acontece com esses pacientes que estão na fila?

Ninguém está desassistido. Estão dentro de uma instituição que presta assistência. Óbvio que, se não conseguem agora (uma UTI, por exemplo), daqui 10 minutos pode ser mais grave, daqui 10 horas mais. Se a gente tivesse vaga para todo mundo, não precisaria regular.

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