REUTERS/Kathleen Flynn
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Quando ocorrerá a vacinação de adolescentes contra a covid-19? Entenda a previsão

Especialistas dizem que a vacinação desse grupo, após a aplicação nos mais velhos, será importante para a imunidade de rebanho. Rio de Janeiro prevê campanha para setembro

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 15h00

O Rio foi a primeira capital do País a anunciar o calendário para a vacinação de adolescentes contra a covid-19. Segundo anunciou o prefeito Eduardo Paes na última sexta-feira, 18, os indivíduos de 12 a 17 anos serão imunizados em setembro – depois que a vacinação de toda a população acima dos 18 anos estiver concluída. De acordo com especialistas, a iniciativa é positiva e será necessária para a imunidade de rebanho.

Até agora, segundo a Anvisa, a Pfizer é a única vacina dentre as disponíveis no País que já tem autorização para ser usada entre adolescentes. A AstraZeneca (da Fiocruz) e a CoronaVac (do Instituto Butantan) ainda não deram entrada junto à agência à documentação necessária para obter a liberação para esta faixa etária. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio confirmou que a ideia, por enquanto, é usar apenas as vacinas da Pfizer entre os menores de 18 anos.

No Mato Grosso do Sul, a Secretaria Estadual de Saúde autorizou os municípios a vacinarem adolescentes com comorbidades, o que já está acontecendo em várias cidades. 

Em Betim, em Minas Gerais, a prefeitura começou a vacinar adolescentes sem comorbidades na semana passada, como forma de garantir a volta às aulas presenciais dos adolescentes. A campanha foi suspensa pela Justiça, no entanto, porque o município não tinha ainda concluído a imunização de outras faixas etárias, contrariando a determinação do Programa Nacional de Imunização (PNI). Tanto em MS quanto em MG, a vacina usada era a Pfizer.

"Estamos otimistas de que, em setembro, vários Estados já terão concluído a vacinação de toda a população acima dos 18 anos; ou pelo menos de todos aqueles que queiram ser vacinados", afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha. "Quando esse momento chegar, será fundamental avançarmos para a imunização dos adolescentes; isso é importante para alcançarmos a imunidade coletiva."

A população brasileira com menos de 18 anos representa aproximadamente 30% do total. Ou seja, para termos pelo menos 70% da população vacinada (a marca considerada ideal pelos especialistas para a redução da circulação do vírus), será importante termos os adolescentes vacinados também.

"Já sabemos que de 5% a 10% da população não querem se vacinar ou estão em dúvida", constatou Cunha. "Então será muito importante vacinarmos os adolescentes para alcançarmos a imunidade coletiva."

O problema, segundo Cunha, é que a vacinação dos adolescentes não pode atropelar o calendário estabelecido pelo PNI, como estava acontecendo em Betim (MG).

"Tecnicamente falando, quanto mais gente for vacinada, melhor. Vamos precisar da maior cobertura possível para voltarmos à normalidade", afirmou o virologista Flávio Guimarães, do Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG. "Agora, as prioridades estabelecidas pelo PNI devem ser respeitadas."

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