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Quarentena em SP poderá ser mantida em meio à abertura econômica prometida por Doria

Governador afirmou que período de isolamento poderá ser ampliado para depois de 10 de maio

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2020 | 14h51

Em coletiva convocada nesta quarta-feira, 22, para anunciar medidas para abertura econômica do Estado de São Paulo, o governador João Doria (PSDB) afirmou que a quarentena em vigor no Estado para retardar a propagação do coronavírus poderá ser ampliada para depois de 10 de maio.

"Não estamos dizendo que vamos deixar de ter quarentena depois de 10 de maio. Teremos o Plano São Paulo, que vai estabelecer áreas, setores, que poderão ser distendidos, e outros não. É bom deixar claro que não estamos dizendo aqui que depois de 10 de maio não teremos quarentena", afirmou Doria.

O Plano São Paulo, cuja preparação para o anúncio vem sendo feita desde o começo da semana, não foi detalhado. Será um projeto para abrir alguns setores da economia em algumas regiões do Estado, mas que só terá detalhes divulgados no próximo dia 8.

"Os critérios da nova quarentena, daquilo que virá depois do dia 11, serão diferenciados, de acordo com dados científicos apurado em cada região do Estado. Mas até o dia 10, nada muda", disse o governador, ao pedir paciência à população.

O plano prevê que a abertura vai depender de três critérios: taxa de crescimento do número de pessoas infectadas, capacidade do sistema de saúde de oferecer leitos de internação e número de pessoas testadas para a doença. O governador afirmou que é a doença, não a quarentena, que fez a economia do Estado encolher nas últimas semanas.

"O que temos aqui (hoje) é o processo que vamos seguir nesse plano. Mas o trabalho vai ser feito de forma colaborativa", disse a secretária de Desenvolvimento Econômico e Social, Patrícia Ellen, citando integração entre secretarias econômicas e da Saúde. 

"A implementação será faseada, regionalizada e setorial. Isso só é permitido ser feito hoje porque hoje temos os dados e pudemos preparar nosso sistemma de saúde e também o acompanhamento no nível regionalizado e, em muitos casos, municipal", disse Patrícia.

Os municípios, segundo a secretária, serão segmentados de acordo com a situação de saúde de cada um. Haverá uma definição de nível de risco, entre vermellho, amarelo e verde. "Para estar na zona verde, precisamos ter baixo número de casos, baixa ocupação de leitos de UTI, testes disponívies para assintomáticos e suspeitos e protocolos setorias implementados", disse a secretária.

A área verde teria abertura maior. Patrícia afirmou que, seguindo esses critérios, atualmente São Paulo teria apenas municípios nos níveis vermelho e amarelo. "Assim, até o dia 11, ainda temos muito trabalho pela frente."

Um dos focos, ainda de acordo com a secretária, é nos setores mais vulneráveis do ponto de vista econômico e mais seguro do ponto de vista da saúde.

Mais tarde, em outra entrevista coletiva, apenas com os gestores da área da saúde, o infectologista David Uip afirmou que o Estado estuda uma forma de realizar testes rápidos por amostragem para conseguir determinar o percentual de pessoas que já teve contato com a doença, e poderia estar imunizado ou doente, e aqueles que ainda estão expostos à contaminação.

Meirelles critica BNDES

O secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o plano visa a garantia do poder de compra das famílias e a liquidez das empresas paulistas. "Para isso, é fundamental a eficiência dos gastos públicos", disse.

Meirelles citou linhas de crédito o banco Desenvolve SP, do governo do Estado, para induzir a liquidez do setor provado, e criticou o fato de o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não repassar recursos para o Desenvolve SP realizar esses empréstimos. O banco paulista, que é financiado pelo Estado, não pode emitir títulos, e depende de investimento federal, segundo disse o secretário, que é ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central. "A mais importante fonte de recursos do banco, além do Tesouro do Estado, é o BNDES".

O banco aguarda aporte de R$ 1,5 bilhão do governo federal, que ainda não veio porque, segundo o secretário, houve uma preferência por parte de Brasília em usar recursos do BNDES para financiar empresas privadas. "Este é o momento de enfrentar crise. Não é o momento de fazer política", afirmou.

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