Quase 10 mil mulheres serão julgadas por prática de aborto

Todas as mulheres fizeram o procedimento em uma mesma clínica no MS entre 1999 e 2001

João Naves de Oliveira, Agência Estado

04 de abril de 2008 | 14h30

Quase 10 mil mulheres serão qualificadas, interrogadas e levadas a julgamento pela prática de aborto, realizados em uma única clínica de Campo Grande. A decisão tomada quinta-feira, 3, pelo juiz da 2ª. Vara do Tribunal do Júri de Mato Grosso do Sul, Aloísio Pereira dos Santos, atendendo pedido do promotor estadual de Justiça, Paulo César dos Passos.   Passos explicou que "são pessoas arroladas em procedimentos abortivos considerados crimes, ocorridos entre 1º de agosto de 1999 e 2001, que devem ser qualificadas, interrogadas e logicamente se culpadas, serão indiciadas. A pressa é para evitar a prescrição do delito, que ocorre em oito anos."   Já foram julgadas 26 pessoas desde maio de 2007. Nesta segunda parte, são 9.800 acusadas no inquérito instaurado em abril do ano passado, contra a médica Neide Mota Machado, proprietária da Clínica de Planejamento Familiar, situada no centro de Campo Grande. No local foram realizados milhares de abortos criminosos, durante 20 anos, conforme denúncia do Ministério Público Estadual e investigações da Polícia Civil.   A delegada do 2º Distrito Policial responsável pelo caso, Regina Márcia Rodrigues Mota, ainda não sabe como executar a enorme tarefa. "Estamos estudando a organização de uma força tarefa para concluir os inquéritos e remetê-los à justiça, o mais breve possível." Segundo ela, existem casos de mães que levaram filhas para abortar e também namorados e amantes de algumas mulheres que fizeram abortos na clínica.

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