Quase 20% dos homens gays e bissexuais dos Estados Unidos têm HIV

Metade deles não sabe que está contaminada, mostra estudo com 8.153 em 21 grandes cidades

Reuters

23 Setembro 2010 | 17h36

CHICAGO - Quase um em cada cinco (19%) homens gays e bissexuais em 21 grandes cidades dos Estados Unidos está infectado com o vírus HIV, e praticamente a metade deles não conhece a própria condição, disseram autoridades de saúde americanas nesta quinta-feira, 23.

Os jovens, especialmente negros, são menos propensos a saber se estão contaminados, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do país. "Para os jovens que fazem sexo [sem proteção] com homens, o futuro está realmente em perigo", disse em comunicado o diretor da divisão de Prevenção a HIV/Aids do CDC, Dr. Jonathan Mermin.

"É fundamental que nós alcancemos esses jovens no início de suas vidas, com prevenção ao HIV e exames, e continuemos com esses serviços vitais à medida que eles envelhecerem", completa.

O estudo avaliou 8.153 homens que fazem sexo homossexual em 21 cidades que participam do Sistema de Vigilância Comportamental de HIV, em 2008, que analisou a prevalência do vírus da imunodeficiência humana e o conhecimento dessa condição nesse grupo de homens.

Os pesquisadores descobriram que 28% dos negros homossexuais estavam infectados, contra 18% dos hispânicos e 16% dos brancos. A incidência de HIV no primeiro grupo é fortemente afetada por problemas de educação e renda, segundo os autores. De acordo com o que os estudiosos escreveram no relatório semanal sobre doenças e mortes do CDC, um menor status socioeconômico aumenta as chances de contrair o HIV.

A idade também foi um fator que pesou nos homens que sabiam ou não que estavam contaminados. Entre aqueles com idade entre 18 e 29 anos, 63% tinham conhecimento, enquanto os mais velhos chegavam a apenas 37%. Isso é particularmente perigoso, porque, segundo estimativas do CDC, a maioria das novas infecções são transmitidas por pessoas que não estão atentas sobre a própria condição.

O diretor Mermin disse que os resultados mostram o HIV ainda é um grave problema na América, e pediu uma renovação nacional de esforços para proteger a saúde dos homossexuais.

O CDC recomenda que os homens gays e bissexuais de todas as idades façam um teste de HIV a cada ano, e os de maior risco - aqueles que têm múltiplos parceiros sexuais ou usam drogas - sejam examinados a cada 3 a 6 meses.

"Precisamos aumentar o acesso ao teste anti-HIV, para que mais gays conheçam seu estado, e todos nós devemos trazer novas abordagens e novos campeões na luta contra o HIV", disse em comunicado o diretor do Centro Nacional de HIV/Aids, Hepatites Virais, DST e Tuberculose, Dr. Kevin Fenton.

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