Quase 60% dos médicos residentes nos EUA admitem já ter trabalhado doentes

Estudo com 537 profissionais em 12 hospitais mostra ainda que 31% fizeram isso mais de uma vez

AP

16 Setembro 2010 | 18h51

CHICAGO - Mais da metade (58%) dos jovens médicos em treinamento nos Estados Unidos admite já ter trabalhado doentes e 31% disseram ter feito isso mais de uma vez, segundo levantamento realizado com 537 residentes em 12 hospitais do país em 2009 e publicado agora no Journal of the American Medical Association.

Entre as justificativas dadas para não faltar ao trabalho, estão dedicação extrema e medo de desapontar colegas de profissão. Metade dos entrevistados também disse que não teve tempo para consultar um médico sobre sua doença. Segundo o residente e coautor do estudo Anupam Jena, do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, conseguir alguém para substituí-lo em um curto espaço de tempo não compensa o custo de trabalhar doente.

De acordo com o CEO do Conselho de Credenciamento para Educação Superior em Medicina, Dr. Thomas Nasca, os residentes são treinados para colocar as necessidades dos pacientes acima de suas próprias, mas também devem reconhecer que, se estiverem doentes, os pacientes serão mais bem cuidados por outros médicos.

Os cursos de especialização dos residentes são bastante rigorosos, com uma carga horária de 80 horas semanais - 24 horas em alguns dias. O clima em alguns programas é extremamente competitivo, e os jovens continuam trabalhando mesmo doentes para não serem vistos como preguiçosos, segundo Jena.

O conselho, que aprova programas de residência médica em hospitais, tem proposto revisões em relação às horas de trabalho e ao tempo livre dos residentes, para reduzir a privação de sono e as chances de erros médicos. A carga semanal de trabalho seria limitada em 80 horas.

Essas revisões, que serão votadas no final deste mês, também chamam a atenção dos residentes para que não ignorem sinais de cansaço e doenças neles e em colegas, e se certifiquem de que estão aptos para o serviço.

A pressão crescente para exigir vacinas contra gripe aos profissionais de saúde também poderia ajudar a reduzir o número de médicos que trabalham doentes.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) recomendam a vacinação anual contra a gripe aos trabalhadores de saúde para prevenir que os pacientes fiquem doentes. Na semana passada, a Academia Americana de Pediatria aprovou a vacinação obrigatória contra a gripe para toda a categoria.

De acordo com Jena, a gripe é realmente a principal preocupação, porque é prevalente e facilmente transmitida.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.