Quase 600 britânicas que usaram contraceptivo engravidaram

Implante de hormônio no braço pode ter sido inserido em local profundo demais ou desalojado

Reuters

05 Janeiro 2011 | 23h08

LONDRES - Quase 600 mulheres engravidaram no Reino Unido após um implante de contraceptivo de longa duração ser inserido incorretamente, informou nesta quarta-feira, 5, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde (MRHA, na sigla em inglês).

Desde que o Implanon, um tubo de plástico do tamanho de um palito de fósforo contendo hormônio (progestogênio) sintético e inserido no braço, foi autorizado pela primeira vez em 1999, um total de 584 mulheres relatou gravidez indesejada. Ao todo, 1.607 pacientes se queixaram sobre o dispositivo - que deveria funcionar por três anos -, em grande parte por reações adversas como cicatrizes e outros problemas.

O Serviço Nacional de Saúde (NHS) indenizou nove mulheres em cerca de R$ 300 mil, além de R$ 200 mil em custos. Em alguns casos, o tubo, que pode ser inserido por médicos e enfermeiros, foi implantado em local profundo demais ou desalojado.

Desde então, o Implanon tem sido substituído pelo Nexplanon, que tem um aplicador pré-carregado para facilitar a inserção. O produto com problemas, fabricado pela MSD (subsidiária da gigante farmacêutica Merck), não foi retirado do mercado e continuará a ser administrado até que as reservas se esgotem, segundo a MHRA.

O Implanon tornou-se particularmente popular entre as jovens, que são mais susceptíveis a esquecer de tomar anticoncepcionais diários. Se for administrado corretamente, o produto é mais que 99% eficaz, a mesma taxa da pílula.

Cerca de 1,4 milhão de mulheres usaram o Implanon nos últimos 12 anos. O Ministério da Saúde britânico tentou tranquilizar os casais dizendo que "a grande maioria das pessoas com os implantes tem um produto seguro e eficaz". "Se algo der errado, os hospitais têm o dever de relatar o problema, e é justo que os pacientes sejam compensados se for o caso", acrescentou o governo em comunicado.

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