TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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‘Quase metade dos leitos de SP para covid-19 foram ocupados em uma semana’, diz secretário da Saúde

Edson Aparecido alerta que, mesmo com leitos ainda por instalar, toda a estrutura municipal deve estar ocupada ‘em um curto espaço de tempo’

Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2020 | 19h16

Em apenas uma semana, 45% dos 1.662 leitos de baixa e média complexidade preparados para receber pacientes de covid-19 na cidade de São Paulo já foram ocupados, de acordo com Edson Aparecido, secretário da Saúde do município que acumula mais mortes relacionadas à pandemia do novo coronavírus.

“Para você ter uma ideia, a gente conseguiu preparar 1662 leitos de baixa e média complexidade para a covid. E (serão) mais de 470 leitos até 14 de abril. Metade do que a gente preparou já está ocupado, 45% ocupado, em uma semana”, afirmou Aparecido ao Estado nesta sexta-feira, dia 10.

“Mesmo com tudo que a gente vai instalar ainda de leitos, os dados mostram que tudo será ocupado muito rapidamente”, acrescentou. “Pelos dados dessa semana, a gente vai ocupar seguramente em um curto espaço de tempo”, alertou.

Ainda segundo o secretário, a doença está de disseminando muito rapidamente nas periferias localizadas nos extremos da zona leste, zona sul e zona norte. “Está indo em uma velocidade muito grande, maior neste momento na periferia do que no resto da cidade”, explicou.

Aparecido disse ainda que, dos pacientes que vão para a UTI, uma média de 30% falece devido à complicações relacionadas à doença. “É muito alta a taxa”, constatou.

Nesta sexta, o Brasil passou das mil mortes pelo novo coronavírus: o total de óbitos chegou a 1.056 e o País tem quase 20 mil pessoas diagnosticadas. Foram 115 mortes e 1.781 casos registrados em 24 horas.

Isolamento social

Especialistas indicam que, já que ainda não existe vacina contra a covid-19, apenas o isolamento social pode desacelerar o ritmo de ocupação de leitos. Desde que a Organização Mundial de Saúde decretou pandemia em função do novo coronavírus, infectologistas têm salientado a importância de restrições à circulação.

Os especialistas ressaltam que, se todos ficarem doentes em um curto espaço de tempo, faltarão leitos e respiradores, levando a muitas mortes que poderiam ter sido evitadas caso o sistema de saúde não estivesse sobrecarregado.

Porém, de acordo com o do Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP) do governo de São Paulo, apenas 47% da população do Estado aderiu ao isolamento social na quinta, dia 9, como uma maneira de evitar a propagação da doença. A tendência tem sido de diminuição do isolamento, o que preocupa autoridades. O ideal seria que o índice no Estado de São Paulo fosse de 70%. 

A central de inteligência analisa os dados de telefonia móvel de 40 cidades, em parceria com as operadoras Vivo, Claro, Oi e Tim. 

O coordenador do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo, David Uip, alertou que, caso a taxa de isolamento continue baixa, o número de leitos disponíveis no sistema de saúde não será suficiente.

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