Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Quatro das maiores comunidades do Rio registram pelo menos seis mortes por coronavírus

Óbitos por covid-19 na Rocinha, Manguinhos, Mare e Vigario Geral geram preocupação

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2020 | 15h05

RIO - Quatro das maiores comunidades do Rio já tiveram pelo menos seis mortes confirmadas por coronavírus. Rocinha, Manguinhos, Maré e Vigário Geral somam 23 casos registrados da doença.

A chegada da epidemia nas comunidades e um dos maiores temores das autoridades de saúde. As favelas não costumam ter saneamento básico, as ruas são muito estreitas e, em geral, muitas pessoas dividem a mesma casa, propiciando a disseminação da doença. Nas comunidades a maior parte do comercio continuou funcionando normalmente, diferentemente do que aconteceu em outras partes da cidade.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foram duas mortes na Rocinha, na zona sul, outras duas em Vigário Geral, na zona norte, uma em Manguinhos, na zona norte, e uma na Maré, também na zona norte.

“E muito difícil cumprir esses protocolos de isolamento, distanciamento social, uso de álcool em gel nas comunidades”, pondera Eliana Sousa Silva, da ONG Redes da Maré, que responsável pela campanha “A Maré diz não ao coronavirus”,  para levar cestas básicas e produtos de higiene a 6 mil famílias na Maré. “São 140 mil pessoas vivendo numa área de 4,5 quilômetros quadrados, há uma dificuldade real de fazer esse distanciamento acontecer. Seria preciso uma estratégia de prevenção diferente para não haver uma contaminação em massa.”  

Na Rocinha, onde vivem aproximadamente 200 mil pessoas, o movimento do comercio e dos moradores também segue intenso. “Existiu uma quarentena antes da fala do presidente (Jair Bolsonaro) e outra depois”, afirmou William de Oliveira, líder comunitário da Rocinha e morador da comunidade. “Antes, a cidade estava vazia, estavam levando o negocio a serio. Mas, depois, o quadro mudou, muitos voltaram a abrir o comercio e o povo voltou a andar na rua. Enquanto continuar essa quebra de braço la em cima, quem se ferra e quem esta aqui embaixo.”

Por enquanto, a grande maioria dos 1.449 casos da doença no município está concentrada nos bairros mais ricos, na zona sul e na zona oeste. O número de mortes e de 73. No entanto, os números indicam que já começam a se espalhar nas comunidades mais pobres.

A Secretaria Estadual de Saúde havia divulgado pela manhã um número diferente, em que apenas na Rocinha haveria cinco mortes. No fim da tarde, a secretária disse que houve um erro na elaboração das tabelas e, onde se lia ‘obitos’ na verdade foram processados os números de casos com comorbidades.

OBS: A primeira versão da matéria relatava 11 mortes, informação da Secretaria Estadual de Saúde, que foi corrigida mais tarde.

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