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Quatro em cada dez pacientes com coronavírus internados em UTIs de SP precisam de respirador

Dados são da Secretaria Estadual da Saúde com base na análise dos dados de 2,3 mil internações por coronavírus registradas até o dia 8 de abril

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 12h00

Quatro em cada dez pacientes com coronavírus internados em Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) do Estado de São Paulo precisaram de respiradores, segundo balanço da Secretaria Estadual da Saúde com base na análise dos dados de 2,3 mil internações pela doença registradas até o dia 8 de abril e divulgados em boletim epidemiológico da pasta.

No período, 2.307 pacientes foram internados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pela covid-19, dos quais 958 (41,5%) precisaram ser encaminhados para a UTI. Destes, 406 foram colocados em ventilação mecânica invasiva, ou seja, entubados por ter evoluído para uma insuficiência respiratória mais severa.

É justamente nesse grupo que foi registrada a maior mortalidade pela doença. Dos 406 pacientes entubados na UTI, 199 haviam morrido até a data do balanço da secretaria, o equivalente a 49%. Se considerado o número total de óbitos em relação ao total de internados em qualquer tipo tipo de leito, o índice cai para 18%.

A taxa de mortalidade na UTI, independentemente do uso de ventilação mecânica invasiva, é quase o triplo da registrada entre pacientes internados que não foram para a terapia intensiva: 29% contra 10%.

Segundo especialistas, além da maior gravidade do quadro dos pacientes que são encaminhados para entubação na UTI e do risco de falta de respiradores durante o período de pico da pandemia no País, há complicações relacionadas ao uso prolongado do equipamento que podem tornar-se um desafio a mais durante a epidemia.

“Nos pacientes com quadros graves de covid-19, o tempo de entubação tem variado de 7 a 21 dias. É um período muito extenso, o que aumenta o risco de complicações como pneumonias associadas à ventilação mecânica, trombose, infecções”, explica José Eduardo Afonso Jr., pneumologista no Hospital Israelita Albert Einstein.

“Temos observado que é um tempo médio bem maior do que o de outras pneumonias virais ou bacterianas. Sabemos que a ventilação por esse tempo prolongado pode levar a lesões pulmonares”, diz o também pneumologista Gustavo Prado, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Para reduzir o risco dessas complicações, dizem os médicos, é preciso haver monitoramento constante de vários indicadores do paciente internado, como o volume de ar insuflado nos pulmões, a velocidade que o ar é insuflado e a pressão exercida sobre o órgão. É necessário ainda um trabalho multidisciplinar com outros profissionais, como fisioterapeutas respiratórios. “Um leito de UTI não é apenas uma cama e um respirador, ele exige uma série de outros aparelhos, monitoramento, profissionais e protocolos para que a gente adote uma estratégia que proteja o paciente de complicações”, diz Prado.

Afonso Jr. afirma que será um desafio seguir os parâmetros ideais no já sobrecarregado sistema público de saúde brasileiro, ainda mais quando os leitos estiverem no limite. “É uma questão que preocupa porque ficar entubado em uma estrutura sem recursos adequados poderá levar a muitas mortes evitáveis. Isso pode fazer diferença nas estatísticas brasileiras em relação às de outros países.”

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