Queda de meteorito movimenta a cidade de Varre-Sai (RJ)

Prefeitura quer comprar por R$ 18 mil pedra de 12 cm e oferece bicicletas para quem achar mais fragmentos

Clarissa Thomé, de O Estado de S.Paulo

22 Julho 2010 | 13h34

Meteorito encontrado em propriedade rural de Varre-Sai. Wellinton Rangel/Divulgação

 

RIO DE JANEIRO - A pequena cidade de Varre-Sai, a 375 quilômetros da capital fluminense, se tornou destino de um tipo diferente de turistas - os caçadores de meteoritos. Eles estão à procura de fragmentos de um objeto que caiu no município em 19 de junho. No início deste mês, um casal de bolivianos foi preso no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, com três pedaços do meteorito. O prefeito da cidade, Everardo Ferreira (PP), oferece bicicletas de recompensa aos estudantes que recuperarem partes da pedra.

 

"Queremos incentivar os alunos para que estudem a região, vivenciem esse achado tão importante para a cidade. E queremos também que o meteorito fique em Varre-Sai. Pessoas de outros países vieram procurar o meteorito por conta de sua importância científica", afirmou Ferreira, que pretende criar um museu astronômico como forma de fomentar o turismo na região.

 

Varre-Sai entrou para a rota do comércio de meteoritos na noite de 19 de junho, quando o agricultor Germano da Silva Oliveira, de 62 anos, viu um rastro vermelho no céu e uma explosão, que clareou tudo. No dia seguinte, ele caminhou até um campo de plantação de mandioca e encontrou a pedra acinzentada de cerca de 600 gramas e 12 centímetros. Levou para que os professores da escola municipal avaliassem.

 

Deu sorte. A professora Filomena Ridolphi, cadastrada na Olimpíada Brasileira de Astronomia, reconheceu a importância do material achado por Oliveira. O físico Marcelo de Oliveira Souza, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense e coordenador do Clube de Astronomia Louis Cruls, explica que há poucos registros de quedas de meteorito. "E o resgate é mais raro ainda. Os relatos do senhor Germano são importantíssimos para que possamos entender a trajetória, como chegou à atmosfera. Cada meteorito pode trazer informações novas sobre a formação do sistema solar. Ficou milhões de anos vagando pelo universo", afirma.

 

O último registro de meteorito a cair no Rio de Janeiro, com relatos e o posterior resgate, é de 1869. Souza e um grupo de pesquisadores também vasculharam a região em que Germano Oliveira viu cair o meteorito, mas nada encontraram. Estima-se que haja um pedaço gigante, de cerca de 20 quilos. "Há um comércio mundial de meteorito. São pessoas motivadas por interesses científicos, às vezes são colecionadores, outros compram apenas para especular", afirma Souza.

 

Uma rocha como a que Oliveira encontrou valeria entre R$ 15 mil e R$ 18 mil. A rocha de 20 quilos, R$ 1 milhão. "A prefeitura está interessada em comprar, mas não vai entrar em leilão", avisou o prefeito. Os bolivianos detidos, Benjamin Rivera e Cláudia Avellar, pagaram R$ 170 por um dos fragmentos. "Eles compraram de um adolescente, e o rapaz acabou contando. Mas nem sabíamos que estavam com outros dois pedaços", diz Souza. "Nossa luta é que o meteorito permaneça na região. Só o anúncio de um meteoro fez aumentar muito a procura pelo clube de astronomia".

 

Enquanto não decide se vende ou não o meteorito, o agricultor pediu que a rocha fique guardada num cofre da prefeitura. O prefeito encomendou três réplicas que ficarão expostas na cidade. A Universidade Federal do Rio de Janeiro também está estudando a composição do material encontrado.

 

 

(Texto modificado e ampliado às 17h45)

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