Eraldo Peres/AP Photo
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Evitar lockdown é a ordem, mas temos de fazer nosso dever de casa, diz Queiroga

Ministro da Saúde declarou também que decisão sobre a vacinação do presidente Jair Bolsonaro é um assunto 'privado'

Amanda Pupo e Wagner Freire, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2021 | 14h09
Atualizado 03 de abril de 2021 | 15h37

BRASÍLIA - No momento em que o Brasil continua a registrar recordes de mortes por covid-19, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou neste sábado, 3, que a "ordem" é evitar a política de lockdown, mas ponderou que é preciso "fazer o dever de casa". "Nós estamos trabalhando sim com protocolos para orientar a população brasileira, sobretudo os que usam transporte público, para fazer isso de forma mais ordenada, a fim de evitar fechamento da nossa economia", disse em coletiva à imprensa após reunião com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Precisamos nos organizar para que evitemos medidas extremas e consigamos garantir que pessoas continuem trabalhando e ganhando seu salário, deixando situações extremas para outro caso. Então evitar lockdown é a ordem, mas temos que fazer nosso dever de casa, e deve não é só do governo federal, estadual ou municípios. É de cada um dos cidadãos", afirmou o ministro.

Apesar da "ordem" de dispensar o lockdown, de acordo com o que pensa o presidente Jair Bolsonaro, diversas orientações de Queiroga mostram o contraponto no discurso do ministro em relação ao mandatário. Queiroga repetiu o apelo para que a população use máscara de proteção, faça a higiene das mãos, não promova aglomerações e pratique o distanciamento físico.

"Vamos continuar trabalhando e aproveito a oportunidade para nessa época de Páscoa solicitar para cada um dos brasileiros que use as máscaras. Aproveitem o feriado para não fazer aglomerações, é fundamental, assistimos muitas vezes a população fazendo festas, sem máscaras. Isso não é adequado, precisamos que cada um colabore", disse o ministro.

Ainda nessa manhã, Bolsonaro fez um passeio junto do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, em Brasília. Sem uma máscara à vista durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente visitou a Casa de Maria Beth Myriam, que distribui sopas em Itapoã, no Distrito Federal. No vídeo, Bolsonaro falou com presentes no local, enquanto comia uma sopa, e voltou a criticar medidas adotadas por governadores para incentivar o distanciamento social. "Somos contra o fecha tudo", disse o presidente.

'Essa questão do presidente se vacinar é privada, não me falou nada disso', diz ministro

Na entrevista à imprensa dada nesta manhã, pouco tempo após a saída de Bolsonaro, o ministro foi questionado se o presidente Jair Bolsonaro tomaria ou não a vacina neste sábado. "Essa questão do presidente se vacinar é privada, não me falou nada disso", afirmou Queiroga, que em diversas vezes afirmou que a campanha de vacinação é prioridade.  

"O presidente ligou para mim e falou da questão de usar as Forças Armadas para apoiar a campanha de vacinação, mas ele não me falou se ia se vacinar hoje", respondeu.

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