Hospital Regional de Mato Grosso do Sul
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Queiroga nomeia médica como substituta de secretária que ficou dez dias no cargo

Diretora de hospital em Mato Grosso do Sul, Rosana Leite de Melo vai assumir pasta extraordinária de enfrentamento à covid do ministério; antecessora no cargo, Luana Araújo era contra a cloroquina e depôs na CPI

Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2021 | 10h04

Correções: 17/06/2021 | 11h45

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde nomeou a médica Rosana Leite de Melo como Secretária Extraordinária de Enfrentamento à covid-19 da pasta. O cargo foi criado no início de maio pelo ministro Marcelo Queiroga, mas ainda seguia sem titular. A médica infectologista Luana Araújo chegou a ser anunciada para a vaga, trabalhou por dez dias à frente da nova secretaria, mas não foi confirmada na função.

A nomeação de Rosana Leite de Melo está publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 17. Ela é graduada em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e até agora era a diretora do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, unidade de referência para o tratamento do novo coronavírus no Estado.

Na semana passada, Rosana esteve em Brasília para reunião com Queiroga. Segundo informações publicadas no site do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, a reunião contou também com a participação do secretário de Atenção Especializada à Saúde, Sérgio Okane, e serviu "para discutir assuntos pertinentes ao enfrentamento da covid-19 e suas repercussões".

Luana Araújo é pro-vacina e forte crítica do uso de remédios sem eficácia contra o vírus, como cloroquina e ivermectina, o que vai na contramão das declarações do presidente Jair Bolsonaro durante a crise sanitária. Sobre a desistência de efetivar Luana, Queiroga mudou sua versão. No último dia 8, o ministro disse que não confirmou Luana porque o nome dela não traria "a conciliação entre os médicos" que ele pretende promover.

Mas, em audiência na Câmara em 26 de maio, ele havia sugerido que a nomeação não tinha sido formalizada por questões políticas. "É necessário que exista validação técnica e que exista também validação política para todos os cargos que pertencem ao núcleo de cargos de confiança do governo, porque senão não há condição do presidente da República implementar as políticas públicas que são necessárias para o enfrentamento da pandemia", disse Queiroga na ocasião.

À CPI, porém, o ministro afirmou que a "validação política" seria da classe médica, e não partidária. "Questão política não é questão político-partidária, é questão política da própria classe médica. Não é um nome que harmoniza", argumentou ele, numa referência a Luana, que é defensora da ampla vacinação e contrária ao chamado tratamento precoce contra covid.

No depoimento que prestou à CPI, Luana afirmou na CPI que "qualquer pessoa", independente de cargo ou posição social, que defende métodos sem comprovação científica para o tratamento de doenças, tem "responsabilidade sobre o que acontece depois". A médica também reforçou que a autonomia médica, apesar de fazer parte da prática, "não é licença para experimentação".

A infectologista ainda disse aos senadores não saber o motivo de não ter sido nomeada para a equipe de Queiroga, mas afirmou que seu nome "não passaria pela Casa Civil".

Correções
17/06/2021 | 11h45

Diferentemente do publicado na versão original da linha fina desta matéria, Rosana Leite de Melo não é infectologista. 

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