Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Querem me culpar pelas 200 e tantas mil mortes', diz Bolsonaro

'A gente lamenta? Lamentamos. Mas tem outros países com IDH, renda e orçamento melhor que o meu em que morre mais gente', acrescentou o presidente

Gustavo Porto e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2021 | 22h05

BRASÍLIA  - No dia em que o Brasil registrou 1.726 mortes por covid-19, número recorde desde o início da pandemia,  o presidente Jair Bolsonaro se eximiu de qualquer culpa sobre a condução da crise sanitária e novamente apresentou dados sem comprovação para minimizar os efeitos da doença.

“Querem me culpar pelas 200 e tantas mil mortes”, afirmou Bolsonaro, em conversa com apoiadores, na entrada do Palácio da Alvorada. “O Brasil é o 20º país do mundo em mortes por milhão de habitantes. A gente lamenta? Lamentamos. Mas tem outros países com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), renda e orçamento melhor que o meu em que morre mais gente”, acrescentou ele.

O Brasil já ultrapassa a marca de 257 mil mortes por covid-19. O número de 1.726 óbitos foi obtido por meio de levantamento do consórcio de veículos de imprensa. Segundo o Ministério da Saúde, foram 1.641 mortes, nesta terça-feira, 2, em decorrência do novo coronavírus. 

Na conversa com apoiadores, Bolsonaro retomou a defesa do tratamento precoce de covid-19 e voltou a criticar o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. “E por que está morrendo menos gente aqui? Tem que ter uma explicação. Seria o tratamento precoce?”, perguntou. “Se ficar em casa até sentir falta de ar, como dizia o sr. Mandetta, você vai para o hospital para ser intubado. E, se for  intubado, você sabe, né? Em torno de 60% a 70% das pessoas infelizmente entra em óbito”, disse o presidente antes de cobrar investimentos em mais Unidades de Terapia Intensiva (UTI). “Devemos  investir em UTI, sim. Que salve 1%, mas você tem de investir em UTI”.

Bolsonaro disse que não é culpado pelo fechamento do comércio e repetiu que o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a Estados e munícipios o poder de tomar decisões sobre medidas restritivas. “Segundo o STF, isso cabe a governadores e prefeitos. Lockdown não é culpa minha: é de governadores e alguns prefeitos”, afirmou. Ao contrário do que o presidente diz, porém, a Corte deu autonomia apenas para que governadores e prefeitos montassem planos de ação contra a pandemia de covid-19.

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