Raridade da doença pode ter matado empresário sul-africano

No Brasil, há poucos registros da febre maculosa; no ano passado, dos quatro casos no Rio, três morreram

Talita Figueiredo, de O Estado de S. Paulo,

08 de dezembro de 2008 | 18h25

A dificuldade do diagnóstico da febre maculosa pode ter sido a principal causa da morte do empresário sul-africano William Charles Erasmus, de 53 anos, há oito dias na Casa de Saúde São José, no Humaitá (zona sul). No ano passado, dos quatro casos confirmados no Rio, três pessoas morreram. No país, há poucos registros da doença causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pelo carrapato-estrela - de 1997 a 2008 foram registrados 641 casos no país, principalmente na região Sudeste. A taxa de letalidade é de 27%.   Veja também: Sul-africano morreu de febre maculosa, segundo Fiocruz Corpo de empresário sul-africano é cremado no Rio Pessoas que tiveram contato com sul-africano mantém rotina Exames de sul-africano que morreu no Rio vão demorar 4 dias Sul-africano que morreu no RJ pode ter sido infectado na África  Empresário sul-africano é vítima de febre hemorrágica no Rio    No domingo, 7, o Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) começou a sequenciar geneticamente a bactéria encontrada no sangue do sul-africano para definir qual dos 20 tipos de Rickettsia o contaminou. A informação tem valor científico, já que ele estivera internado na África onde apresentou sinais da doença . No Brasil e nos Estados Unidos, a doença é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, diferente da que é encontrada na África. Para que a infecção ocorra, o carrapato precisa ficar coloado à pele da vítima de quatro a seis horas.   Segundo a Fiocruz, o quadro clínico é marcado por um início brusco, com febre elevada, dores de cabeça, dores musculares intensas e prostração. Na evolução da doença, podem ocorrer hemorragias, náuseas e vômitos. "O diagnostico é difícil, sobretudo quando as queixas são comuns a doenças como dengue e leptospirose, comuns por aqui", diz a pesquisadora Elba Lemos, que coordenou as pesquisas que descobriu a causa da morte do sul-africano. Em 2007 e 2008, houve 136 casos, sobretudo em Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.

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