Alex Silva/Estadão
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Reabertura de lojas de rua é vista como pontapé inicial para retomada do comércio em SP

Estabelecimentos poderão funcionar por quatro horas, das 11h às 15h, e com 20% da sua capacidade

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2020 | 20h20
Atualizado 11 de junho de 2020 | 00h11

A reabertura das lojas de rua a partir desta quarta- feira, antevéspera do Dia dos Namorados, data comemorativa importante para o varejo, foi vista pelos empresários como um pontapé inicial para retomada do comércio. “É melhor abrir assim do que não reabrir”, afirma Alfredo Cotait, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), uma das 30 entidades que assinaram o acordo com a Prefeitura de São Paulo para cumprir as novas regras de funcionamento. O protocolo prevê que nesta fase inicial, classificada como laranja, as lojas de rua poderão funcionar por quatro horas, das 11h às 15h e com 20% da sua capacidade para receber os clientes.

Otimista, Cotait acredita que já nas próximas semanas o setor deve evoluir para uma fase mais favorável, na qual as lojas poderão ficar abertas por seis horas. O presidente da ACSP diz que o protocolo da Prefeitura sugere que as lojas testem os funcionários, mas não as obriga. Esse foi um dos pontos de impasse nas negociações entre Prefeitura e empresários do varejo. Inicialmente a Prefeitura queria obrigar a testagem, mas houve entidades, como a Fecomércio/SP, que alegaram que isso pressionaria custos, num momento de dificuldades enfrentadas pelo varejo.

De toda forma, Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), que também assinou o acordo com a Prefeitura, conta que neste momento o sindicato está negociando com as empresas do varejo a possibilidade de testar os trabalhadores para identificar casos assintomáticos de covd-19. O sindicalista observa que a sua maior preocupação em relação à retomada das atividades diz respeito às aglomerações de pessoas no transporte público. Ele lembra também a dificuldade das mulheres que trabalham no comércio e que não terão creches nem escolas abertas para deixar os filhos.

Cotait admite que nem todas as lojas estão preparadas para cumprir as novas regras. Ele acredita que a volta, ainda que restrita, trará algum alento para o varejo de rua da capital paulista que amarga desde o início da pandemia queda de quase 70% nas vendas. “Muitas lojas pequenas estão fechadas com tapumes”, observa.

Patah lembra que 70 mil trabalhadores da cidade de São Paulo foram demitidos este ano por causa da pandemia, de um total de 500 mil empregados no comércio. “Essa reabertura pode estancar um pouco o desemprego”, prevê o sindicalista.

O presidente da ACSP acredita que a loja de rua, por estar em ambiente aberto e ser um destino de “passagem”, deve se sair melhor nessa retomada do que o shopping. Estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta queda histórica de 43% nas vendas para a data no País. É maior retração já registrada para a data desde o início da série de vendas, em 2004. O recuo supera até mesmo o tombo da Páscoa, que foi de 35%.

Marcelo Silva, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), um dos signatários do acordo com a Prefeitura, diz que as grandes empresas do varejo e redes de supermercados associadas à entidade têm um protocolo de boas práticas que vem sendo seguido com sucesso e que pode ser adotado por pequenos varejistas. Ele reforça que, no acordo firmado entre a Prefeitura e representantes do comércio de rua, a testagem dos funcionários pelos varejistas foi recomendada, mas não é obrigatória. Um ponto de preocupação do executivo nesta retomada é também a aglomeração no transporte público.

Veja como foi o primeiro dia de reabertura do comércio na capital

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