Reação do cérebro à comida ajuda a prever obesidade

Quanto menos prazer o cérebro sente em relação ao alimento, mais a pessoa come para compensar

AP

16 de outubro de 2008 | 19h36

Beba um milk shake e a central de prazer do seu cérebro ficará feliz - a não ser que você esteja acima do peso.   Soa contra nossa intuição. Mas pesquisadores dos Estados Unidos que observaram mulheres saboreando esses doces dentro de um scanner cerebral concluíram que, quando o cérebro não sente gratificação suficiente através da comida, as pessoas podem comer excessivamente para compensar.   O pequeno, mas inovador, estudo pôde até prever quem iria engordar no próximo ano: aqueles que tinham um gene escondido que fazia seu cérebro ainda mais guloso.   "Quanto mais grosseira a resposta ao sabor do milk shake, mais provável o ganho de peso", disse Eric Stice, cientista do Instituto de Pesquisa Oregon que coordenou o trabalho, publicado na edição de sexta-feira, 17, da revista Science.   Uma dieta saudável e bastante exercício são os fatores principais se uma pessoa é obesa. No entanto, cientistas sabem, há tempos, que a genética tem um papel fundamental na obesidade - e um grande fator é a dopamina, a substância cerebral que é a chave da sensação de prazer.   Comer pode temporariamente elevar o nível de dopamina. Estudos anteriores da atividade do cérebro revelaram que obesos tinham menos receptores de dopamina que pessoas magras. E um gene em particular está ligado a menos receptores de dopamina, o Taq1A1.   "Esse trabalho nos leva um passo a frente", disse Nora Volkow, do National Institutes of Health, especialista em dopamina. "Ele olha para o gene associado à maior vulnerabilidade à obesidade e pergunta o porquê. O que ele faz com o modo como o cérebro funciona que torna uma pessoa vulnerável a comer compulsivamente?"   Para realizar a experiência, os pesquisadores desenvolveram uma seringa que colocava milk shake na boca das participantes sem que elas se movessem. Os pesquisadores diziam quando elas poderiam engolir, para que o scanner fosse coordenado com esse pequeno movimento.   Eles recrutaram voluntárias, 43 mulheres de 18 a 22 anos e 33 adolescentes de 14 a 18 anos.

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