Kamil Krzaczynski/AFP
Kamil Krzaczynski/AFP

Vacina da Janssen: Saiba quais são as reações adversas mais comuns

Quadros leves de dor muscular (mialgia) ou de cabeça, febre e náuseas são efeitos colaterais considerados comuns; reações graves são raras e o benefício da vacinação é muito maior que o risco, aponta especialista

Marianna Gualter, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2021 | 17h20
Atualizado 01 de julho de 2021 | 23h00

O primeiro lote da vacina da Janssen contra a covid-19 chegou ao Brasil no último dia 22. As mais de 1,5 milhão de doses do imunizante começaram a ser utilizadas por todo o País nesta segunda-feira, 28. O Estadão conversou com dois especialistas para esclarecer dúvidas sobre possíveis reações após a vacinação e como elas devem ser tratadas. 

O imunizante da farmacêutica Johnson & Johnson recebeu aprovação para uso emergencial no Brasil da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março deste ano. A vacina também foi aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) e pela agência reguladora americana Food and Drug Administration (FDA, em inglês).

A infectologista Raquel Stucchi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e o virologista Rômulo Leão Silva Neris, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comentaram os possíveis efeitos colaterais resultantes da vacinação e ressaltaram a segurança e importância da imunização. 

Quais as reações comuns à vacina da Janssen? Como lidar com elas? 

A bula da Janssen esclarece que existem reações locais e gerais. Normalmente esses efeitos colaterais podem aparecer nos três primeiros dias após a vacinação. São reações locais: dor, vermelhidão e inchaço no local de aplicação. E gerais: cansaço, dor de cabeça ou muscular (mialgia), arrepios, febre e náuseas. 

Os especialistas consultados afirmaram que essas reações são comuns e acontecem com a maior parte das vacinas tomadas ao longo da vida. Se desejar, o paciente pode amenizá-las com analgésicos e antitérmicos. 

Há risco de reações graves à vacina da Janssen?

O fabricante esclarece que existem chances remotas de a vacina causar uma reação alérgica grave. Em casos raros, ela pode ocorrer em até uma hora após a administração da dose. Uma reação desse tipo pode incluir sinais como: dificuldade para respirar, inchaço do rosto e garganta, batimento cardíaco acelerado, tontura, fraqueza ou erupções cutâneas pelo corpo. 

Além disso, casos pontuais de coágulos sanguíneos foram detectados com a aplicação do imunizante nos Estados Unidos. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) esclareceu que esse é um evento raro, ocorrendo em uma taxa de cerca de 7 casos a cada 1 milhão de mulheres entre 18 e 49 anos de idade. Para mulheres com 50 anos ou mais e homens de todas as idades, o efeito é ainda mais esporádico. 

“É uma reação rara e o benefício da vacinação é muito maior que o risco”, esclarece a infectologista Raquel Stucchi. 

O CDC também alerta que desmaios e outros sintomas de ansiedade (respiração rápida, pressão arterial baixa, dormência ou formigamento) podem ocorrer após a aplicação da vacina. Esses eventos não são comuns e, em sua maioria, não são considerados graves. 

Em quais casos de reação é preciso procurar um médico?

Caso os sintomas listados como comuns persistam por mais de três dias, a infectologista Raquel indica que o paciente procure por atendimento médico presencial. “É importante até para descartar uma eventual contaminação por covid-19. A pessoa poderia já estar contaminada antes da vacinação e não saber”, explica. 

Um médico também deve ser consultado com urgência se o recém-imunizado apresentar dores de cabeça fortes e persistentes, visão turva, dores fortes no peito ou abdome, hematomas ou manchas de sangue sob a pele em locais que não sejam o da injeção, falta de ar ou inchaço nas pernas. Esses são sintomas que podem indicar um quadro de coágulo. 

Segundo Raquel, esses quadros, muito raros, costumam ocorrer até 50 dias após a aplicação do imunizante. Ela destaca que ao buscar atendimento é importante informar ao profissional de saúde que recebeu a vacina recentemente. 

Neris pondera que outras situações apresentam chances muito maiores de causar coágulos do que a vacinação, entre elas o próprio agravamento dos casos de covid-19. 

Não sentir nenhuma reação significa que a vacina não fez efeito?

Apresentar ou não reações não interfere na eficácia da imunização. “Ter reação à vacina não significa que ela fez efeito ou que a pessoa está protegida porque teve a reação, assim como não ter nenhuma reação não significa que ela não protegeu”, afirma a infectologista Raquel. 

Neris acrescenta que a intensidade das reações pode variar entre os indivíduos. Quem está mais cansado ou apresenta a saúde debilitada pode senti-las por mais tempo ou com uma intensidade maior, mesmo que elas não sejam graves. 

O prazo de validade da vacina da Janssen prorrogado pela Anvisa é seguro?

A resposta de ambos os especialistas é sim. Neris destaca que a Anvisa está entre os reguladores sanitários mais sérios e rígidos do mundo. 

“A data de validade significa o período máximo no qual aquele insumo continua estável em armazenamento antes de ser utilizado”, explica. Segundo o pesquisador, como as vacinas contra covid-19 são recentes, é natural que elas tenham um prazo menor previsto, porém, com o tempo, é provável que essas datas sejam estudadas e prolongadas. “Temos algumas outras vacinas mais antigas que podem ficar anos armazenadas.” 

Qual é a eficácia da vacina da Janssen?

A vacina da Janssen teve uma eficácia geral de 66% nos resultados apresentados pela empresa em janeiro de 2021. Os testes de terceira fase foram feitos nos Estados Unidos e na África do Sul, e apresentaram resultados diferentes - enquanto no país da América do Norte a eficácia foi de 72%, na nação africana, onde circulava uma variante diferente (a beta), foi de 57%. Para casos graves, a eficácia foi de 85%.

A vacina foi projetada para ser aplicada em dose única, o que traz diversas vantagens em um momento em que é necessário completar a vacinação da população o mais rápido possível. Contudo, especialistas já discutem se será necessária uma dose extra para conter a variante delta, mais transmissível. /COLABOROU LUIS FILIPE SANTOS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.