Yuriko Nakao/Reuters
Yuriko Nakao/Reuters

Reconhecer a diversidade pode incentivar pessoas a se ajudar, diz estudo

Suposição era de que diferenças no trabalho serviam para desconfiança, discordância ou disputa

estadão.com.br

12 Janeiro 2011 | 17h54

TORONTO - Um novo estudo publicado na revista científica Psychological Science afirma que reconhecer a diversidade entre colegas de trabalho pode incentivar as pessoas a se ajudarem, em vez de causar conflito.

 

"A suposição inicial era de que as diferenças entre grupos serviam como base para desconfiança, discordância ou disputa", diz Geoffrey Leonardelli, professor de administração e psicologia e coautor da pesquisa, junto com Soo Min Toh, também professor da Escola de Administração Rotman, da Universidade de Toronto, no Canadá.

 

"Entretanto, descobrimos que essas diferenças realmente incentivam a cooperação, porque podem identificar os grupos que precisam de ajuda e os que podem ajudar", explica Leonardelli.

 

Em dois campos de estudo, ambos focados nas relações entre colegas de trabalho nativos e estrangeiros, os autores descobriram que os funcionários locais foram mais capazes de partilhar informações culturais e relacionadas à profissão com os colegas estrangeiros quando os perceberam de fato como estrangeiros.

 

Os pesquisadores argumentam que isso ocorreu porque o reconhecimento das diferenças entre nativos e expatriados ajudou os locais a tornarem-se conscientes de que os colegas de outros países tinham necessidade de conhecer a cultura local, e que eles eram especialistas nisso e poderiam ensiná-los.

 

Uma condição importante para que essa cooperação ocorra é que os moradores do país também entendam o sentido da justiça social dentro da empresa. "Reconhecer as diferenças entre grupos não será útil a menos que os indivíduos se sintam seguros em seu local de trabalho e na comunidade", diz Toh. "Acreditamos que, vendo os superiores tratarem seus empregados de forma justa, cria-se esse sentimento de segurança", acrescenta.

 

Os autores descobriram que um senso de justiça social também muda as percepções dos trabalhadores sobre a diversidade. "Diferenças entre grupos muitas vezes criam uma mentalidade 'nós contra eles'", afirma Toh. "Entretanto, descobrimos que, quando os funcionários sentem que são tratados de forma justa por seus empregadores, as diferenças são mais propensas a se manifestar como uma mentalidade 'nós e eles'", define.

 

Perceber favoritismo por parte das autoridades pode ser uma razão pela qual a discriminação racial por agentes de segurança (policiais, funcionários de alfândegas, imigração, segurança de transporte) pode ser prejudicial para o desenvolvimento das relações de cooperação entre diferentes grupos raciais, assim como pode alimentar a percepção de que a diversidade é uma base para a desconfiança.

 

Esses resultados sugerem que, em vez de se misturar ao novo país, os expatriados podem achar mais vantajoso deixar suas origens estrangeiras em evidência. Leonardelli, ele mesmo um americano que vive no Canadá, diz: "Talvez minha adaptação ao Canadá fosse mais rápida se eu tivesse colocado uma bandeira americana no meu jardim".

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