AP Photo / Ramon Espinosa
AP Photo / Ramon Espinosa

Rede de hotéis oferece estrutura para receber infectados pelo coronavírus

Bourbon promete utilizar quartos para ajudar na recuperação de infectados pelo vírus

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2020 | 17h49

A rede de hotéis Bourbon decidiu oferecer ao governo federal sua infraestrutura no combate ao novo coronavírus. A ideia dos representantes da rede é utilizar os hotéis espalhados por Brasil, Paraguai e Argentina como uma opção para ajudar na recuperação de quem for contaminado pelo vírus. A iniciativa é nacional, mas pode atingir em cheio as necessiadades de falta de leito para pacientes nos hospitais das principais capitais do País.

Estima-se que São Paulo precise de mais leitos quando se der o pico da contaminação. Nesta semana, a prefeitura da cidade, aliada ao governo estadual, conseguiu autorização para o uso do estádio do Pacaembu e complexo do Anhembi para tais finalidades. Os empresários da rede hoteleira entendem que podem ser mais efetivos nessa doação por já ter os quartos montados, esperando apenas pela adaptação dos aparelhos necessários aos enfermos.

A partir desta semana, a rede de hotel vai dispensar parte de seu quadro de funcionários e deixará a estrutura à disposição dos governos. "No que a gente puder contribuir, abrir para o atendimento de pacientes e ajudar quem necessita, faremos isso", informou Alceu Vezozzo Filho, CEO da Rede de Hotéis Bourbon.

No total, o hotel tem cerca de 10% de ocupação total, somando todas as suas acomodações. Esse número podem cair nos próximos dias. "É o pior momento da história da rede hoteleira no País. Temos de ser maior do que isso e ajudar o Brasil neste momento tão difícil. Os hotéis estão prontos", disse Vezozzo. A previsão é utilizar setores de hotéis para acomodar os infectados. Isolar áreas, se for o caso. "Não quero prejudicar os poucos hóspedes que estão indo ao nosso hotel", explicou. Mas o executivo sabe que poderá não ter mais hóspedes em pouco tempo.

"Meus funcionários não estão capacitados para atender aos infectados, mas a infraestrutura sim. O Estado sozinho não vai conseguir nada. É preciso que todos se ajudem para superar esse momento", completou o empresário, que tem 60 anos e está no grupo de risco do novo coronavírus. "É assustador lembrar disso", confessou.

São 21 hotéis da rede espalhados pelo Brasil, dois no Paraguai e um na Argentina, totalizando cerca de três mil quartos. Nos últimos dias, os funcionários passaram por intenso treinamento para saber como higienizar os quartos e ambientes e se proteger da covid-19. Até o momento, nenhum órgão governamental entrou em contato com a empresa solicitando ajuda e utilização da infraestrutura. São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Vitória são algumas das capitais em que a rede opera.

A rede não está sozinha nessa empreitada. Empresários do mundo hoteleiro se conversam no sentido de formar uma frente para ajudar os órgãos públicos de saúde no combate à pandemia. Profissionais da saúde, como o ministro Luiz Henrique Mandetta, estimam que o Brasil sofrerá momentos complicados nos próximos dez dias e, a partir daí, o número de contaminados e mortos vai disparar.

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