Andrew Caballero-Reynolds/AFP
Andrew Caballero-Reynolds/AFP

Rede global de laboratórios vai comparar potenciais vacinas contra o novo coronavírus

Cientistas de seis países devem analisar amostras 'como se todas as vacinas estivessem sendo testadas sob o mesmo teto'

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 05h01

Um grande grupo sem fins lucrativos montou uma rede global de laboratórios para analisar dados de potenciais vacinas contra a covid-19, permitindo que cientistas e  farmacêuticas comparem os imunizantes e acelerem o processo de seleção das doses mais eficazes. A rede centralizada é a primeira do tipo a ser organizada em resposta a uma pandemia.

Antes de anunciar os laboratórios envolvidos, Melanie Saville, diretora de vacinação na Coalizão para Inovação na Preparação para Epidemias (CEPI), disse à agência Reuters que a ideia é "comparar maçãs com outras maçãs" enquanto a indústria farmacêutica corre para desenvolver uma vacina eficaz que permita controlar a pandemia do novo coronavírus. 

Em uma rede que abrange Europa, Ásia e América do Norte - inicialmente seis laboratórios no Canadá, Inglaterra, Itália, Holanda, Bangladesh e Índia -, as unidades vão centralizar a análise de amostras "como se todas as vacinas estivessem sendo testadas sob o mesmo teto", disse Melanie, que afirmou que a iniciativa tem como objetivo minimizar o risco de variação dos resultados

"Quando você começa a desenvolver vacinas em potencial, especialmente para uma nova doença, todos produzem seus próprios ensaios, usam protocolos e reagentes diferentes - então quando você lê um artigo, é difícil comparar diferentes candidatas", disse ela. "Ao centralizar as abordagens, teremos a chance de ter a certeza de que estamos comparando maçãs com outras maçãs." 

Centenas de potenciais vacinas contra a covid-19 estão em vários estágios de desenvolvimento ao redor do mundo, com doses produzidas na Rússia e na China sendo disponibilizadas antes da finalização dos testes de eficácia. Pfizer, Moderna e AstraZeneca devem apresentar resultados finais antes do fim do ano. 

Geralmente, a capacidade da vacina de produzir respostas imunes é analisada individualmente, com o objetivo de verificar a presença de anticorpos e células T. Mas com mais de 320 candidatas ao redor do mundo, a diferença no modo de coleta das informações e análise dos dados é um problema. 

Assim como potenciais variações em marcadores de imunidade, existem diferenças em como e onde as amostras são coletadas, transportadas e estocadas - processos que podem impactar na qualidade e utilidade dos resultados, tornando difíceis possíveis comparações. 

Os resultados encontrados pela rede serão enviados de volta para os desenvolvedores da vacina. A CEPI não será detentora dos dados./ REUTERS

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