Redução de peso pode ajudar a prevenir Alzheimer, diz estudo

Atividade cerebral exacerbada em mulheres obesas foi normalizada após redução de peso induzida ou cirurgia bariátrica

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2014 | 21h24

SÃO PAULO - Uma considerável redução de peso na idade adulta pode ajudar a prevenir o Alzheimer na velhice, de acordo com uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) com mulheres submetidas à cirurgia bariátrica. Trabalhos anteriores indicavam que pessoas obesas têm 35% mais chances de desenvolver a doença degenerativa. O novo estudo provou que a perda de peso, ocasionada pela cirurgia, pode reverter um excesso de atividade cerebral associado à obesidade, melhorando as funções cognitivas. Em tese, essa modificação cerebral pode reduzir o risco de Alzheimer.

O trabalho foi publicado nesta terça-feira, 26, na revista Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. De acordo com uma das autoras, Cintia Cercato, endocrinologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o estudo foi o primeiro a avaliar a atividade cerebral em mulheres antes e depois de uma cirurgia bariátrica. "Mostramos que o cérebro é mais um órgão que se beneficia da perda de peso induzida pela cirurgia", disse Cintia. O estudo é resultado da pesquisa de doutorado de Emerson Leonildo Marques, defendida na USP sob orientação de Cintia.

De acordo com a cientista, vários estudos já apontavam a obesidade como fator de risco do Alzheimer. Segundo ela, os obesos têm resistência à produção de hormônios como a leptina e a insulina, que são também importantes para a proteção dos neurônios. "O objetivo era saber se o cérebro do obeso sofria modificações em relação ao de não obesos - e se essas alterações se reverteriam com a perda de peso", disse Cintia. 

Usando uma série de testes neuropsicológicos e tomografias com emissão de pósitrons - um dos principais exames para detecção de Alzheimer - os pesquisadores examinaram as funções cerebrais de 17 mulheres com obesidade mórbida antes da cirurgia bariátrica e 24 semana depois da intervenção. "Antes da cirurgia, encontramos algumas áreas do cérebro das pacientes que tinham taxas de atividade metabólica mais altas que as das mulheres com peso normal", disse a pesquisadora. O aumento da atividade cerebral ligado à obesidade ocorre no cíngulo posterior - a primeira área do cérebro que é comprometida quando se manifesta o Alzheimer, segundo ela.

Depois da cirurgia, a atividade cerebral das pacientes passou a ser idêntica à de uma pessoa que nunca foi obesa, segundo Cintia. "Nossa hipótese é que o aumento do metabolismo cerebral nas pessoas obesas é deletério para os neurônios, prejudicando as sinapses, a memória e a atenção", disse. 

O estudo, segundo ela, mostrou que o cérebro das mulheres obesas, antes da cirurgia, aumentava seu metabolismo, mas não melhorava as funções cognitivas. Segundo o estudo, esse é um indício de que a obesidade pode forçar o cérebro a trabalhar mais que o normal para obter o mesmo grau de cognição. Depois da redução de peso, de acordo com a cientista, as pacientes melhoraram também a função executiva, que é a capacidade de tomar decisões. "Melhorar essa função pode ajudar a paciente a mudar seus hábitos, o que é essencial na luta para manter o peso após a cirurgia", declarou Cintia. 

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