Fábio Motta/Estadão<br>
Fábio Motta/Estadão<br>

Referência, Fiocruz pede tranquilidade

Instituto do Rio especializado em infectologia foi escolhido pelo Ministério da Saúde para atender casos suspeitos de Ebola no Brasil

Clarissa Thomé; Daniela Amorim , O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2014 | 21h28

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), escolhido pelo Ministério da Saúde como referência para receber casos suspeitos de infecção pelo vírus do Ebola, é especializado em doenças infecciosas. Na manhã de ontem, funcionários do centro foram tranquilizados, por meio de um comunicado, sobre a chegada do primeiro paciente com suspeita da doença no Brasil.

Por e-mail, os servidores foram informados de que “todas as medidas de segurança para proteger a equipe e a população foram tomadas”. A nota afirmou ainda que o câmpus Manguinhos, onde fica o instituto, funcionou normalmente.

“O INI é a unidade de referência no País que está preparada para receber esse tipo de ocorrência. Sua equipe de profissionais recebeu treinamento específico para atuar de acordo com os protocolos de segurança e manter o paciente em isolamento. Aos profissionais e estudantes, a Fiocruz esclarece que o funcionamento do câmpus Manguinhos será normal”, informou o texto.

Funcionários se disseram tranquilos sobre a suspeita de Ebola no câmpus. Segundo um servidor, a movimentação na área da fundação não foi alterada, exceto pela presença dos jornalistas. “Não notei nada de diferente”, contou ele, acrescentando que não está preocupado com riscos de disseminação da doença. “Mas óbvio que, por ser uma doença como Ebola, estou acompanhando com atenção.”

Uma pesquisadora da área de Virologia confirmou que o ambiente de trabalho ainda não foi afetado. “Deve ser mentira, eles devem estar fazendo um treinamento”, brincou ela.

Outro funcionário contou que os funcionários já estão acostumados com a circulação de pacientes com doenças infecciosas, uma vez que o INI é centro de referência. “O hospital recebe amostras para pesquisas e doentes de outros lugares, às vezes com infecções que nem foram identificadas ainda. Então, a questão do isolamento faz parte da rotina”, disse o servidor.

Padrão. No INI são tratados pacientes com HIV, doença de Chagas e doenças febris agudas, como dengue e malária. Na pandemia da gripe H1N1, em 2009, também foi escolhido como referência para os casos graves da doença.

Nas últimas semanas, os infectologistas, enfermeiros e auxiliares passaram por treinamento sobre o atendimento a pessoas contaminadas pelo Ebola e participaram de palestras com profissionais que estiveram nas áreas epidêmicas.

Em 29 de agosto, houve simulação de atendimento a uma pessoa suspeita de estar com Ebola no Aeroporto Internacional Tom Jobim. No treinamento, o paciente foi isolado no aeroporto, transportado até a Fiocruz e atendido no INI.

O cidadão da Guiné Souleymane Bah, de 47 anos, está internado no Pavilhão Gaspar Vianna, unidade que tem 32 leitos, dos quais dois são destinados a pacientes em isolamento. Pelo protocolo, ele não deve se movimentar pelo hospital. Se for necessário, tanto o paciente quanto o profissional devem usar os equipamentos de segurança. 

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