Região metropolitana de SP lidera ranking de depressão de 17 países

Estudo feito pela USP em parceria com Harvard e OMS ouviu 5.037 paulistas entre 2005 e 2007

Agência USP

25 de agosto de 2010 | 17h07

SÃO PAULO - Um artigo publicado na revista científica Depression and Anxienty revela que a região metropolitana de São Paulo tem a maior taxa de depressão em um grupo de 17 países.

A informação vem da “São Paulo Megacity”, estudo feito pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que incluiu, entre outras ações, uma entrevista com 5.037 pessoas maiores de 18 anos e com características da população total. O levantamento aconteceu entre 2005 e 2007.

Os pesquisadores constataram que 10,9% desse público teve pelo menos um episódio de depressão no ano anterior à entrevista. A taxa é mais alta que a de países como Estados Unidos, Alemanha, Colômbia e Ucrânia.

A “São Paulo Megacity” foi a parte brasileira da pesquisa internacional “Levantamento Mundial de Saúde Mental”, coordenada pela Universidade Harvard, nos EUA, e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No total, os pesquisadores estudaram 89 mil pessoas dos cinco continentes, fazendo perguntas sobre sintomas de doenças psiquiátricas e físicas, entre outros assuntos.

Depressão e idade

O objetivo do artigo foi confirmar se a depressão atinge menos os idosos, como sugeriam estudos da década de 1990. Alguns cientistas acreditavam que um erro metodológico era a causa da taxa menor entre os maiores de 60 anos: os pesquisadores poderiam ter confundindo sintomas de depressão com o de doenças físicas que atingem mais a terceira idade.

Os dados obtidos agora não confirmaram a hipótese. Os pesquisadores observaram que a presença ao mesmo tempo de depressão e doenças físicas é mais comum entre os jovens que entre os idosos.

A FMUSP estimou que a depressão atinge 11,9% das pessoas entre 35 e 49 anos da região metropolitana de SP, a faixa etária mais atingida. Entre os maiores de 65 anos, a taxa cai para 3,9%. Já entre os jovens de 18 a 34 anos, a prevalência é de 10,4%.

O país com a segunda maior porcentagem são os Estados Unidos. Lá, a faixa etária mais atingida - de 18 a 34 anos - tem uma taxa de depressão de 10,4%. Nos idosos, a taxa cai para 2,6%.

“Nossas taxas estão muito próximas e têm um padrão semelhante às dos países desenvolvidos”, diz a líder do grupo que fez a pesquisa em São Paulo, Laura Helena de Andrade, médica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

No grupo de países classificados como “em desenvolvimento”, que inclui o Brasil, apenas uma em cada quatro pessoas que tiveram a doença buscaram ajuda. Nos países classificados como “desenvolvidos”, a média foi de 53,4%.

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